Pesquisas de boca de urna divulgadas neste domingo (20) no final da eleição para a Câmara Alta do Parlamento do Japão, equivalente ao Senado no Brasil, indicam que a coalizão governista não deve alcançar as 50 cadeiras necessárias para manter a maioria na Casa.
Segundo o levantamento da rede de televisão NHK, a votação do Partido Liberal Democrático (PLD), do primeiro-ministro Shigeru Ishiba, e seu aliado Komeito alcançou de 32 a 51 cadeiras. Os jornais Yomiuri Shimbun e Asahi Shimbun divulgaram projeção semelhante.
Caso o resultado se confirme, Ishiba sai enfraquecido do pleito, mas é improvável uma queda do governo. Ele pode convidar um ou mais partidos para se integrarem à base ou manter-se minoritário.
Após a votação, questionado pela televisão japonesa se pretende se manter no cargo, Ishiba respondeu que “é isso”. Em entrevista coletiva, argumentou estar “envolvido em negociações extremamente cruciais com os Estados Unidos. Não podemos jamais destruir essas negociações”.
O negociador do Japão deve viajar nos próximos dias a Washington, para tentar fechar um acordo antes do dia 1º, quando o presidente americano ameaça impor 25% de taxação sobre os produtos japoneses.
Analistas do banco UBS, por outro lado, projetam que um governo enfraquecido pode resultar até mesmo na ausência de um acordo tarifário com os EUA. Ishiba já havia perdido a maioria na Câmara Baixa em outubro, quando precisou negociar a coalizão com o Komeito.
O premiê acrescentou na coletiva que é necessário esperar o resultado, mas o PLD é o partido com o maior número de cadeiras e precisa encaminhar o que defendeu na campanha. Foi uma referência à situação fiscal do país, que ele vê ameaçada pela bandeira oposicionista de reduzir o imposto sobre consumo.
Entre os temas que pesaram contra seu governo no pleito, os principais teriam sido a inflação, que alcançou 3,3% de taxa anual em junho e foi marcada pela escassez de arroz, e a política de imigração, que levou ao questionamento do número de estrangeiros no país, explorada por opositores na campanha.
Um dos partidos que devem obter maior representação na Câmara Alta, segundo os levantamentos de boca de urna, é o Sanseito, de extrema direita e com uma plataforma que busca emular a xenofobia de Trump.
A Câmara Alta tem 248 cadeiras, mas estavam em disputa apenas 125. A apuração começou imediatamente após as 20h (8h no Brasil) e os resultados devem sair no final da noite, com a apuração sendo retomada na manhã de segunda (noite de domingo no Brasil).