Jack Ma, fundador da Alibaba e outrora o homem mais rico da China, regressou em setembro de 2025 aos campi da empresa em Hangzhou, após quase cinco anos afastado da vida pública. A ausência foi interpretada como punição do Partido Comunista Chinês (PCC), depois de críticas feitas em 2020 à actuação de reguladores financeiros.
Na altura, o episódio resultou na suspensão do IPO bilionário do Ant Group e numa multa recorde de 2,8 mil milhões de dólares aplicada à Alibaba, além do “exílio forçado” do empresário.
Durante o afastamento, Ma dedicou-se à agricultura, educação e filantropia, viajando pelo mundo. Enquanto isso, a Alibaba enfrentava forte concorrência da JD.com e Meituan, a desaceleração económica chinesa e a repressão regulatória, factores que reduziram significativamente o seu valor de mercado.
Agora, o magnata reaparece com novos planos: alocar 50 mil milhões de yuans (6,9 mil milhões de dólares) em subsídios e descontos para tentar reconquistar clientes e acelerar apostas em inteligência artificial e serviços de nuvem. Internamente, ecoa o lema “Make Alibaba Great Again”, numa alusão ao desejo de recuperar a glória do passado.
O regresso de Jack Ma coincide com uma mudança de tom de Pequim, que vem aliviando restrições ao sector tecnológico para priorizar crescimento económico e inovação em IA na disputa geopolítica com os Estados Unidos.
“Jack usa a sua influência sem confrontos directos, provando ser indispensável”, afirmou um executivo da empresa, sob anonimato. A leitura nos bastidores é de uma espécie de “vingança subtil”: alinhar inovação com os interesses nacionais sem desafiar o poder central.
Em paralelo, a Alibaba resolveu nos EUA acções judiciais no valor de 433,5 milhões de dólares, relativas a omissões sobre riscos regulatórios.
Para analistas, a reaproximação entre governo e empresários pode sinalizar uma “primavera tecnológica chinesa”, em que empreendedores terão mais espaço, desde que dentro das regras do PCC.
Os impactos podem ser globais: no Brasil, por exemplo, espera-se que a Alibaba intensifique investimentos via AliExpress, mas persistem riscos associados ao uso e protecção de dados sensíveis.
O caso de Jack Ma expõe o dilema central da China contemporânea: inovação sob controlo estatal. A dúvida que fica é se o fundador da Alibaba está a viver uma vingança poética contra o sistema que o puniu ou apenas a jogar uma nova partida no xadrez do poder.
