Riqueza escondida em paraísos fiscais supera os bens de metade da Humanidade

Riqueza escondida em paraísos fiscais supera os bens de metade da Humanidade Riqueza escondida em paraísos fiscais supera os bens de metade da Humanidade

Dez anos após os “Panama Papers”, a Oxfam alerta que os 0,1% mais ricos escondem em paraísos fiscais mais riqueza do que a que pertence aos 4,1 mil milhões de pessoas mais pobres do mundo, exigindo medidas urgentes contra a evasão fiscal.

A fortuna escondida em paraísos fiscais pelos mais ricos do mundo ultrapassa os bens da metade mais pobre da população global, denunciou esta semana a Oxfam, numa análise divulgada dez anos após o escândalo dos “Panama Papers”.

Segundo a organização, os 0,1% mais ricos concentram riqueza offshore superior à detida por cerca de 4,1 mil milhões de pessoas. “Os ultra-ricos continuam a recorrer aos sistemas offshore para escapar aos impostos e esconder os seus activos”, sublinha a ONG em comunicado.

A Oxfam estima que, em 2024, cerca de 3,55 biliões de dólares tenham escapado ao fisco através de paraísos fiscais e contas não declaradas — um valor superior à produção anual de países como França. Desse montante, cerca de 80% estará concentrado nas mãos dos 0,1% mais ricos, sendo que metade pertence a apenas 0,01% da população mundial.

O alerta surge uma década depois da revelação dos “Panama Papers”, investigação internacional que expôs o uso massivo de estruturas offshore para ocultar património. Em 2016, foram divulgados mais de 11,5 milhões de documentos do escritório Mossack Fonseca, envolvendo mais de 214 mil empresas e cerca de 150 figuras públicas, incluindo políticos e chefes de Estado.

Apesar do impacto do escândalo, os avanços no combate à evasão fiscal têm sido insuficientes. A Oxfam defende uma resposta global mais robusta, incluindo a criação de um registo mundial de activos, o aumento da carga fiscal sobre grandes fortunas e a implementação de impostos específicos para os mais ricos.

Para a ONG, sem medidas coordenadas a nível internacional, a desigualdade global continuará a agravar-se, alimentada pela capacidade dos mais ricos de proteger e ocultar o seu património.

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