Mercados reagem negativamente a discurso de Trump com o petróleo a ser negociado acima dos 100 dólares

Mercados reagem negativamente a discurso de Trump com o petróleo a ser negociado acima dos 100 dólares Mercados reagem negativamente a discurso de Trump com o petróleo a ser negociado acima dos 100 dólares

O discurso de Donald Trump na quarta-feira à noite falhou em tranquilizar os mercados, desencadeando uma reação imediata nas matérias-primas e nas bolsas globais. Os preços do petróleo voltaram a ultrapassar os 100 dólares por barril, com o Brent — referência a negociar perto dos 109 dólares, após uma subida superior a 6% na abertura.

A escalada estendeu-se a outros produtos energéticos: a nafta subiu 9%, o gasóleo de aquecimento 7% e os preços da gasolina nos Estados Unidos avançaram 6%. O gás natural na Europa valorizou cerca de 4%, aproximando-se dos 50 euros por MWh, enquanto o enxofre, essencial para fertilizantes, subiu mais de 3%.

Nos mercados financeiros, o sentimento foi de frustração. As bolsas asiáticas encerraram em queda, com o índice Kospi, em Seul, a afundar quase 5%, refletindo a forte dependência sul-coreana do petróleo do Médio Oriente. Na Europa, os principais índices abriram em terreno negativo, com o índice agregado a cair 1,6%. Já os futuros do S&P 500 recuavam mais de 1% antes da abertura de Wall Street.

O discurso de Trump, marcado por ameaças ao Irão mas sem um calendário claro para o fim da crise no estreito de Ormuz, aumentou a incerteza. O presidente norte-americano reiterou que a operação militar está “a aproximar-se da conclusão”, mas admitiu novos ataques nas próximas semanas, incluindo a infraestruturas críticas.

Para o economista James K. Galbraith, as declarações não apresentam objectivos claros. “Não há qualquer objetivo de controlo do terreno ou do estreito de Ormuz. Em suma, não há objectivo”, afirmou, sublinhando que a ausência de uma estratégia definida agrava a incerteza nos mercados.

O impacto da crise no estreito de Ormuz continua a intensificar-se. Segundo a UNCTAD, o tráfego marítimo na região caiu 95% desde o final de fevereiro, afetando gravemente as cadeias globais de abastecimento. A organização estima que o crescimento do comércio mundial poderá desacelerar para entre 1,5% e 2,5% em 2026.

Analistas apontam que os investidores esperavam sinais de desanuviamento que não chegaram. A ausência de clareza reforçou a percepção de que a escassez de petróleo poderá prolongar-se ao longo de Abril.

Entretanto, o Reino Unido anunciou uma iniciativa diplomática para tentar resolver a crise. O primeiro-ministro Keir Starmer convocou uma reunião em Londres com representantes de 35 países para discutir uma resposta coordenada.

Face ao agravamento da situação, a Agência Internacional de Energia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial decidiram criar um grupo de coordenação para mitigar os impactos económicos e energéticos do conflito no Médio Oriente.

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