Seis mil milhões de razões: por que os EUA não abdicam do Corredor do Lobito

Seis mil milhões de razões: por que os EUA não abdicam do Corredor do Lobito Seis mil milhões de razões: por que os EUA não abdicam do Corredor do Lobito

Os Estados Unidos da América já mobilizaram seis mil milhões de dólares em investimentos para o Corredor do Lobito e ambicionam acelerar a sua liderança nesta infra-estrutura logística estratégica para o desenvolvimento de Angola e da África Austral.

A informação foi prestada pela porta-voz em Língua Portuguesa do Departamento de Estado norte-americano, Amanda Roberson, em entrevista concedida à ANGOP, sublinhando que Washington mudou o foco da sua actuação em África: deixou de privilegiar a ajuda ao comércio para apostar na promoção de investimento privado como motor do crescimento sustentável.

O objectivo declarado é aumentar as exportações e os investimentos no continente, aproveitando os seus abundantes recursos naturais e o potencial económico latente para garantir cadeias de abastecimento robustas. “Em vez de simplesmente extrair recursos, estamos a trabalhar com parceiros para construir cadeias de abastecimento seguras, transparentes e comercialmente viáveis, que beneficiem ambas as economias”, afirmou a responsável.

Os investimentos norte-americanos no Corredor assentam em três pilares — infra-estrutura ferroviária, conectividade digital e energia — e não assumem a forma de ajuda externa tradicional, mas de empréstimos da Corporação Financeira dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (DFC) e do Exim Bank, a serem reembolsados pelos parceiros africanos. Roberson salientou que os parceiros devem “reduzir proactivamente o risco dos projectos por meio de reformas reais”.

Washington continua a apoiar o Corredor do Lobito por considerar esta rota essencial para ligar as regiões ricas em minerais da Zâmbia e da República Democrática do Congo aos mercados americanos e ocidentais. Amanda Roberson qualificou-o como exemplo paradigmático da estratégia de diplomacia comercial do Governo Trump em África.

A porta-voz defendeu ainda que África será a próxima grande oportunidade comercial do mundo: nove das vinte economias de crescimento mais rápido do planeta encontram-se no continente e, em 2050, uma em cada quatro pessoas no mundo habitará em África — 2,5 mil milhões de consumidores com um poder de compra superior a dezasseis mil milhões de dólares.

“Satisfazer esta demanda exigirá investimentos maciços em geração de energia, infra-estruturas e cadeias de abastecimento”, concluiu.

Fonte da Matéria

Add a comment

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *