Portugal absorve quase metade — 48% — de todo o investimento que os angolanos fazem fora do país, num stock total de 5.405,7 milhões de dólares, e esse peso continua a crescer: subiu 5,0 pontos percentuais só no último ano.
Somando os paraísos fiscais das Maurícias e da Ilha de Man, três destinos concentram 67% dos capitais angolanos no exterior, segundo dados do Banco Nacional de Angola (BNA) referentes ao III trimestre de 2025, analisados pela Expansão.
O BNA identifica apenas cinco destinos no relatório — Portugal, Maurícias, Ilha de Man, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde. Os restantes 1.741 milhões de dólares ficam agrupados num genérico “Outros”, que impede saber exactamente onde está o dinheiro. É nessa categoria opaca que analistas situam jurisdições como o Dubai, Malta e a Suíça — reportadas como destinos habituais de fortunas angolanas, aplicadas em empresas ali domiciliadas.
O mecanismo é conhecido: empresas angolanas sediadas em paraísos fiscais investem depois em Portugal — onde alguns PEP (Pessoas Politicamente Expostas) detêm participações em sectores como a banca e os serviços — e até de regresso a Angola, em sociedades anónimas, para esconder os beneficiários finais.
Estas estruturas cumprem uma dupla função: ocultam a identidade dos PEP e apagam o rasto da origem dos capitais, dificultando a supervisão internacional.
