CIDADE DO VATICANO, 11 de abril (Reuters) – O papa Leão apelou veementemente aos governantes globais para que ponham termo ao que definiu como “loucura da guerra”, coincide com a reunião das principais autoridades dos EUA e do Irão no Paquistão, agendada para discutir o encerramento do conflito de seis semanas.
Em vigília de oração na Basílica de São Pedro, Leão – primeiro pontífice nascido nos Estados‑Unidos – condenou a manipulação da linguagem religiosa para legitimar o combate e alertou que a “ilusão de onipotência que nos rodeia torna‑se cada vez mais imprevisível”.
Face a expressão direta, o papa afirmou: “Parem! É hora da paz! Sentem‑se à mesa do diálogo e da mediação, não à mesa onde se planeia o rearme”. Conhecido por escolher as palavras com cautela, Leão adquiriu um tom criticamente aberto face à guerra envolvendo o Irão.
Na mesma cerimónia, emprestou a experiência de crianças de zonas de conflito, cujas cartas descrevem “horror e desumanidade”. Acrescentou ainda ao recuar a posição da Igreja contra a invasão do Iraque pelos EUA em 2003, citando o apelo proferido quatro dias antes do início das hostilidades pelo falecido papa João Paulo II.
“Chega da idolatria do eu e do dinheiro! Chega de exibição de poder! Chega de guerra!”, declarou Leão, recordando que, a 30 de março, já havia afirmado que Deus rejeta as orações de quem inicia guerras com as “mãos cheias de sangue”. Reiterou que o “equilíbrio dentro da família humana está severamente desestabilizado” e que até “o santo Nome de Deus está a ser arrastado para discursos de morte”.
Analistas católicos conservadores interpretaram as críticas como direcionadas ao secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que recentemente recorreu à retórica cristã para legitimar ataques conjunto dos EUA e Israel ao Irão. O serviço de oração especial foi anunciado pelo papa Leão na mensagem pascal do domingo passado.
Fonte: Reuters
