O presidente do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, anunciou que apenas 50 % do valor acordado na venda de participação no Banco de Fomento de Angola (BFA) já foi liquído, prevê que o remanescente será pago até ao fim de 2026 e ainda aguarda dividendos em atraso.
Metade do valor já recebida
Na conferência de imprensa dos resultados do primeiro trimestre de 2026, em Lisboa, o executivo confirmou que o banco português recebeu, até à data, metade do montante acordado para a alienação de partes da sua posição no BFA.
Prazo para liquidação do saldo
Oliveira e Costa afirmou que o pagamento restante deve ser concluído até ao final deste ano, num regime faseado justificavelmente alinhado com a capacidade do sistema financeiro angolano de efetuar transferência em dólares.
Dividendos pendentes
Além do valor ainda por receber, o BPI cobra dividendos do BFA relativos a exercícios anteriores, cuja regularização também está pendente.
Contexto da operação
Em setembro de 2023, o BPI – integrando‑se no grupo espanhol CaixaBank – vendeu 14,75 % do capital do BFA em bolsa por 103 milhões de euros, reduzindo a sua participação para 33,35 %. A venda corresponde a uma recomendação do Banco Central Europeu desde 2017, que urge a diminuição da exposição ao risco angolano.
Impactos nos resultados
No primeiro trimestre de 2026, o BPI registou lucros de 133 milhões de euros, 2 % inferiores ao período homólogo. A operação em Portugal puxou os lucros de 98 para 90 milhões de euros. No recorte angolano, a contribuição do BFA foi de 42 milhões de euros, queda de 9 % em termos comparáveis.
Acionistas do BFA
O principal acionista do BFA continua a ser a Unitel, empresa estatal, com 36,90 % do capital, seguida pelo BPI, com 33,35 %.
Fonte: Órbita 24H
