Angola dispõe de terra, água e força de trabalho; falta apenas a capacitação técnica e a tecnologia para converter esses recursos em produção em larga escala. Nesse sentido, o Governo e a FAO detêm um pacto de cooperação agrícola que ultrapassa o corredor do Lobito e projeta o Leste do país como nova fronteira de desenvolvimento.
O ministro do Planeamento, Victor Hugo Guilherme, encontrou‑se directamente com Jean Bahama, representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), e argumentou que a agricultura familiar de subsistência deve ceder espaço a modelos empresariais. A constatação é inequívoca: Angola não pode permanecer dependente do petróleo nem desperdiçar o potencial agrícola de um território dotado de condições naturais excecionais.
Para viabilizar essa mudança, a FAO propõe apoio na criação de cadeias de valor competitivas, no processamento agrícola e na geração de emprego para jovens e mulheres – dois segmentos fundamentais numa população onde mais de metade tem menos de 25 anos. A organização disponibiliza ainda ferramentas de análise estatística e de segurança alimentar, cruciais para planear investimentos baseados em dados concretos.
Um dos elementos práticos do encontro foi a referência ao modelo vietnamita de produção de arroz, apontado como experiência passível de adaptação à realidade angolana. O Vietname figura como o terceiro maior exportador mundial de arroz – uma transformação que exigiu décadas, mas que iniciou a partir de pressupostos semelhantes aos de Angola: abundância de terra, disponível força de trabalho e défice tecnológico.
A reunião, realizada em Luanda na semana passada, assinalou ainda que as acções previstas não se restringirão ao Corredor do Lobito, que tem tributado a maior parte do investimento internacional nos últimos anos. O Leste nacional, com extensas áreas agrícolas subutilizadas, integra agora a agenda como zona prioritária para expansão.
