Met Gala 2026 regista 100 mil dólares de bilhete, reforça finanças do Costume Institute
Evento fundiu moda e arte com tema “Costume Art”, mas a polémica centrou‑se no patrocínio de Jeff Bezos
O Met Gala voltou a Nova Iorque, mantendo‑se como um dos maiores festivais de moda e cultura global, e recolheu 100 mil dólares (cerca de 92 mil euros) por bilhete, valores que consolidam a sua reputação como principal fonte de financiamento do Costume Institute do Metropolitan Museum of Art.
Evolução histórica
Criado em 1948 como jantar de angariação de fundos, o evento evoluiu nos anos 70 sob Diana Vreeland, que introduziu temas anuais como diretriz criativa. Mais tarde, Anna Wintour, chief content officer da Condé Nast, transformou‑o no “Super Bowl” da moda, combinando exclusividade e presença de celebridades de topo.
Programação e temática
A edição de 2026 decorreu, como habitualmente, no Metropolitan Museum of Art. O tema “Costume Art”, com dress code “Fashion is Art”, dirigiu‑se a designers, agentes do cinema e personalidades culturais, embora a criatividade da passadeira vermelha tenha sido eclipsada pela cobertura mediática da controvérsia financeira.
Polémica envolvendo Jeff Bezos
A principal polémica girou em torno da ligação ao fundador da Amazon, Jeff Bezos, cuja fortuna é avaliada pela Forbes em 277,1 mil milhões de dólares (cerca de 255 mil mil milhões de euros). Bezos e a esposa Lauren Sánchez foram anunciados como patrocinadores principais e chairs honorários, com pagar entre 10 e 20 milhões de dólares pelos cargos, despertando críticas ao longo do evento.
Os críticos argumentaram que a associação ao homem mais rico do mundo trouxe novamente à tona o debate sobre desigualdade económica, citando acusações persistentes quanto às condições laborais nas instalações da Amazon. Ainda, apontaram possíveis ligações entre a empresa e tecnologias utilizadas pelo Immigration and Customs Enforcement (ICE) dos Estados Unidos, alimentando o ressentimento.
Repercussão pública
Antes da gala, protestos surgiram em Nova Iorque, com cartazes e projeções em edifícios pedindo o boicote ao Met Gala de Jeff Bezos. Mensagens como “Boicote o Met Gala de Jeff Bezos” circularam no espaço público e nas redes sociais, refletindo um descontentamento que ultrapassou o círculo da moda.
O desenrolar do Met Gala 2026 demonstra que, para além de simbolizar o glamour, o evento continua a ser arena de discussões sobre poder económico, responsabilidade social corporativa e a influência de oligarcas na cultura contemporânea.
Manifestantes criticam gala do MET patrocinada por Jeff Bezos e organizam protesto “Tapete Vermelho da Resistência” em Nova Iorque
Acções de cotovia, mensagens projetadas e apelos ao boicote marcaram o evento de 4 de maio de 2026, com participação limitada de figuras públicas.
O protesto “Tapete Vermelho da Resistência”, realizado na Quinta‑Avenida em frente ao Museu MET, foi responsável por atrair a atenção internacional para a gala do Costume Institute, financiada por Jeff Bezos e Lauren Sánchez Bézos. Entre as intervenções, activistas do grupo Everyone Hates Elon distribuíram milhares de garrafas de “urina” artificial dentro do museu e projetaram mensagens contra o multimilionário em edifícios vizinhos. Modelos e actrizes denunciaram publicamente a presença de celebridades, enquanto várias estrelas da música e do cinema optaram por não comparecer.
Reacções de figuras públicas
A modelo Bella Hadid manifestou desagrado nas redes sociais perante comentários que questionavam a €xistência de celebridades no evento. A actriza Taraji P. Henson escreveu: “Estou tão confusa com algumas pessoas que vão. Só me apetece dizer: ‘Mas que raio estamos a fazer!?!?!?!’”. Cara Delevingne, embora vinculada ao evento, respondeu a críticas públicas publicando mensagens de apoio à instauração do protesto.
Acções directas dos activistas
O coletivo Everyone Hates Elon liderou acções disruptivas, distribuindo centenas de garrafas com líquido amarelo fictício dentro do MET, remetendo aos relatos de trabalhadores da Amazon sobre a falta de pausas para ir à casa de banho. Projetos de luz foram utilizados para exibir, nas fachadas de prédios próximos à residência de Bezos, a frase: “Se não fosse por todos os colaboradores nas instalações da Amazon, ele não teria todos aqueles zeros ao lado do seu nome”, com testemunho de uma ex‑funcionária.
Ausências notáveis na lista de convidados
A gala viu a falta de presenças de personalidades habituais, nomeadamente Zendaya, Billie Eilish, Timothée Chalamet e Taylor Swift. O presidente da Câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, reiterou que não compareceria, justificando a decisão com a necessidade de focar em acessibilidade económica na cidade.
Cargos de direção e participação institucional
Apesar das críticas, a noite contou com a presidiência conjunta de Beyoncé, Nicole Kidman, Venus Williams e Anna Wintour. Convidados como Zoe Kravitz, Sabrina Carpenter, Doja Cat, Lena Dunham, Sam Smith e A’ja Wilson confirmaram a participação. Anna Wintour defendeu a presença de Jeff e Lauren Sánchez Bézos, descrevendo‑os como “um trunfo maravilhoso para o museu e para o evento” e salientando a sua “incrível generosidade”.
A censura ao evento evidencia uma crescente sensibilidade ao papel das grandes fortunas no financiamento cultural e ao impacto social das empresas que as gerem. Para investidores e decisores politiques, a polémica reforça a necessidade de avali ar não só o capital̂ financeiro, mas também o capitaĺ de reputação associado aos patrocinadores de alto nível.
O futuro das galas do MET dependerá da capacidade dos organizadores em conciliar financiamento privado com exigências de responsabilidade social e ambiental, sob a vigilância pública cada vez mais atenta a estas questões.
Fonte: Forbes Internacional
