Um drone rompeu a defensiva da única central nuclear dos Emirados Árabes Unidos neste domingo, 17, provocando um incêndio no perímetro da instalação. Não foram reportados feridos nem vazamentos radioactivos, mas o episódio sublinha o risco de reacção hostil, uma vez que o cessar‑fogo entre Estados Unidos e Irão permanece instável.
A autoria não foi imediatamente reivindicada e os Emirados não acusaram Teerã; contudo, o país tem imputado ao Irão vários ataques com drones e mísseis nos últimos dias, num clima de tensão acrescida sobre o Estreito de Ormuz – rota estratégica controlada por Teerã para o abastecimento energético.
Os Estados Unidos mantêm o bloqueio dos portos iranianos, e as iniciativas diplomáticas para conseguir uma paz duradoura têm sido repetidamente infrutíferas. O presidente americano, Donald Trump, chegou a sugerir a possibilidade de retomada das hostilidades, enquanto a televisão estatal iraniana difunde cenários com apresentadores a empunhar fuzis Kalashnikov, numa tentativa de preparar a opinião pública para o conflito. Simultaneamente, os combates entre Israel e a milícia xiita libanesa Hezbollah intensificar‑se‑am, apesar do cessar‑fogo em vigor.
Usina de Barakah
A central nuclear de Barakah, avaliada em US$ 20 mil milhões, foi edificada pelos Emirados com apoio da Coreia do Sul e entrou em operação em 2020. É a primeira e única usina nuclear do mundo árabe, capaz de gerar cerca de um quarto da energia total dos Sete Emirates.
O órgão regulador nuclear dos Emirados declarou que o incêndio não comprometeu a segurança da instalação: “Todas as unidades continuam a operar normalmente”, leu‑se na sua página oficial.
O comunicado oficial não atribuiu culpa a cualquier parte. A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), órgão de vigilância nuclear das Nações Unidas com sede em Viena, indicou que o incidente provocou um incêndio num gerador elétrico e que um dos reatores dependia de geradores a diesel de emergência. O diretor‑geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, manifestou “grave preocupação” com o ataque e qualificou a atividade militar que ameaça a segurança nuclear de inaceitável.
Este será o primeiro esforço armado contra Barakah, que dispõe de quatro reatores, desde o início da guerra. O complexo situa‑se próximo da fronteira com a Arábia Saudita, a aproximadamente 225 km a oeste de Abu Dhabi.
Os rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irão e combatidos pelos Emirados dentro da coalizão liderada pela Arábia Saudita, alegaram ter atingido a usina durante a fase de construção em 2017 – acusação então refutada por Abu Dhabi.
Fonte: Estadão Conteúdo
