Um consórcio de bancos centrais e mais de 40 bancos comerciais intensifica os testes do projeto Agora, visando acelerar a infraestrutura de pagamentos internacionais.
Londres, 27 de maio (Reuters) – Um agrupamento de alguns dos principais bancos centrais mundiais, ao lado de mais de quarenta grandes bancos comerciais, está a expandir a testagem do projeto Agora, um dos esforços digitais mais monitorizados no sector financeiro global, enquanto se aperta a corrida por modernizar e controlar a arquitectura de pagamentos internacional.
O projecto, coordenado pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), inclui a participação do Federal Reserve de Nova Iorque e dos bancos centrais da zona euro, Coreia, México e Japão, cujas moedas respondem pela maior parte dos fluxos de pagamentos globais.
Actualmente, as transacções internacionais circulam por uma rede mundial de bancos comerciais, processo que se revela moroso e caro quando a cadeia inclui vários intermediários ou moedas de economias emergentes menores.
Andrea Maechler, gerente‑geral adjunta do BIS, afirmou que a última ronda de ensaios comprovou a viabilidade das “reservas tokenizadas de bancos centrais” – versões digitais das moedas nacionais – combinadas com “depósitos de bancos comerciais tokenizados”.
As autoridades globais procuram há tempos tornar os pagamentos internacionais mais rápidos e menos dispendiosos, tendo o G20 elevado esta meta a prioridade nas áreas econômicas deste ano.
Maechler reconheceu que o Agora “ainda não está pronto para a produção”, mas anunciou planeamento de novos testes e a futura inclusão do Banco Central do Canadá no projecto.
> “É um reconhecimento claro de que, se o mundo está a avançar para um ecossistema tokenizado, uma das vantagens consiste em disponibilizar um sistema de pagamentos globais em funcionamento 24/7”, sublinhou a gestora do BIS.
Embora não constitua concorrente direto, o Agora costuma ser comparado ao projecto de pagamentos digitais mBridge, agora liderado pela China, com a participação de Hong Kong, Tailândia, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.
O Banco Central da Índia propôs ainda que os países membros dos BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – elaborem planos para interligar as suas moedas digitais na cúpula do bloco que será sediada pela Índia dentro de alguns meses.
Interpelada sobre a ausência do Banco Central da China e das suas instituições comerciais no Agora, Maechler explicou que o projecto possui uma “constelação” diferente de participantes.
Tim Adams, diretor do Instituto de Finanças Internacionais, que auxilia na coordenação das dezenas de bancos comerciais envolvidos, considerou os últimos testes um marco, ao demonstrar a capacidade dos pagamentos tokenizados de operar em escala.
Os ensaios incluíram ainda a denominada “liquidação atômica”, mecanismo que permite concluir transacções internacionais e intercambiais de moedas numa operação de ‘tudo ou nada’ assim que são atendidos os critérios predefinidos.
Por sua vez, os bancos centrais experimentaram a “arquitetura de protótipo em camadas”, designada a garantir a autonomia de cada Institutio sobre os respetivos registos de moedas nacionais, preservando, ao mesmo tempo, as regras legais essenciais.
Fonte: Reuters
