Um ano após a intervenção do BNA, banco regista quarto trimestre consecutivo de melhoria nos indicadores financeiros, mas crédito à economia permanece abaixo dos níveis anteriores à reestruturação.
O Banco Sol fechou o segundo trimestre de 2026 com um resultado líquido de Kz 12,30 mil milhões, mais do que quadruplicando o lucro de Kz 2,78 mil milhões registado no trimestre anterior, segundo o balancete divulgado em cumprimento do Aviso n.º 15/07 do Banco Nacional de Angola.
A trajectória confirma a recuperação iniciada no primeiro trimestre do ano, quando o banco regressou aos lucros pela primeira vez desde a intervenção assistida do BNA, anunciada a 25 de Abril de 2025. Nessa altura, o resultado positivo de Kz 2,78 mil milhões representou uma reversão de 206,05% face ao prejuízo de Kz 2,62 mil milhões apurado no mesmo período de 2025.
O activo total continuou a crescer entre os dois trimestres, passando de Kz 1,05 biliões para Kz 1,15 biliões, uma progressão de cerca de 9,3%. A carteira de títulos e valores mobiliários manteve-se como o principal componente do balanço, subindo de Kz 468,02 mil milhões no primeiro trimestre para Kz 489,62 mil milhões no segundo, ainda que o seu peso relativo no activo total tenha recuado ligeiramente de 44,58% para 42,66%.
O crédito a clientes, que no primeiro trimestre tinha caído 28,77% em termos homólogos para Kz 92,29 mil milhões, registou uma recuperação para Kz 108,86 mil milhões no segundo trimestre. Ainda assim, o rácio de crédito sobre activo total permanece contido, reflectindo a postura de gestão de risco adoptada durante o processo de reestruturação.
Os depósitos de clientes continuaram a crescer, de Kz 929,33 mil milhões no primeiro trimestre para Kz 974,92 mil milhões no segundo, mantendo-se acima de 90% do passivo total e confirmando a manutenção da confiança dos depositantes ao longo do processo de saneamento.
Os fundos próprios, que no primeiro trimestre tinham recuado 10,61% em termos homólogos para Kz 69,47 mil milhões, inverteram a tendência entre trimestres, subindo para Kz 73,34 mil milhões no segundo trimestre — um sinal de reforço da base de capital após a queda registada no arranque do ano.
O Banco Sol foi retirado da categoria de banco de importância sistémica no quarto trimestre de 2025, na sequência do Plano de Recapitalização e Reestruturação aprovado pelo BNA. Os dados dos dois primeiros trimestres de 2026 sugerem uma recuperação sustentada, ainda que a normalização plena do crédito à economia continue a ser o principal indicador a acompanhar nos próximos trimestres.
Fonte: Balancetes do I e II Trimestre de 2026, Banco Sol, em cumprimento do Aviso n.º 15/07 do BNA.
