A ExxonMobil e os parceiros da Área 4 avançaram mais uma etapa no desenvolvimento do projecto Rovuma LNG, em Moçambique, com a adjudicação de aproximadamente 1,1 mil milhões de dólares em contratos de pré-investimento para equipamentos críticos de longo prazo e actividades iniciais de construção.
O anúncio foi feito a 17 de Agosto pela ExxonMobil Moçambique, que actua em representação dos parceiros da Área 4 — a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), a CNPC, a Eni, a KOGAS e a XRG. Os contratos destinam-se a apoiar a primeira fase do Rovuma LNG, na província de Cabo Delgado, e representam um novo avanço do projecto rumo à decisão final de investimento (FID).
Distribuição dos contratos
Os contratos abrangem engenharia, procurement e fabrico de sistemas de produção submarina, válvulas de produção de grande diâmetro e tubos para as operações offshore.
O maior contrato foi atribuído à OneSubsea UK Limited e à OneSubsea AS, com apoio local da Aker Solutions Mozambique, para os sistemas submarinos de produção, controlos e umbilicais.
Foram ainda atribuídos contratos à Advanced Technology Valve, para válvulas de produção; à Corinth Pipeworks, para tubos soldados de grande diâmetro; à Sumitomo Corporation of America, para tubos sem costura; e à Zhejiang Jiuli Hi-Tech Metals, para tubos revestidos, curvas por indução e outros componentes associados.
A decisão de avançar com estes contratos antes do FID permite iniciar antecipadamente o fabrico de equipamentos com prazos de entrega longos, reduzindo riscos de execução e preparando a cadeia de fornecimento para a fase de construção do projecto.
O anúncio surge poucos dias depois de a ExxonMobil ter revelado, a 10 de Agosto, a selecção da joint venture SMDC para serviços limitados de engenharia e procurement relacionados com a componente onshore do projecto. A SMDC reúne a italiana Saipem, a norte-americana McDermott Energy Solutions, a sul-coreana Daewoo Engineering & Construction e a chinesa China Petroleum Engineering & Construction Corporation.
Segundo a ExxonMobil, o desenvolvimento onshore do Rovuma LNG deverá incluir 12 módulos de liquefacção, com capacidade total prevista de 18,6 milhões de toneladas de GNL por ano. O arranque está actualmente previsto para 2031, enquanto os parceiros avançam para uma decisão final de investimento em 2026.
O projecto será desenvolvido a partir dos recursos de gás natural do campo Mamba, localizado na Área 4 da Bacia do Rovuma. O Instituto Nacional de Petróleo (INP) de Moçambique confirma que o plano de desenvolvimento do Rovuma LNG prevê a produção e liquefacção do gás em instalações onshore.
A Área 4 possui um papel estratégico na expansão da indústria de GNL de Moçambique. De acordo com o INP, o desenvolvimento do Rovuma LNG esteve condicionado pela instabilidade de segurança em Cabo Delgado, que levou à interrupção das actividades associadas ao projecto e à declaração de força maior.
Com os novos contratos e a preparação da componente onshore, o projecto entra agora numa fase de execução mais concreta, embora ainda não esteja formalmente sancionado através de uma decisão final de investimento.
A ExxonMobil detém uma participação indirecta de 25% na Área 4 e lidera a construção e operação do Rovuma LNG, com o objectivo de transformar os recursos de gás offshore de Moçambique numa das maiores operações de GNL da região.
Segundo a companhia, o projecto poderá gerar aproximadamente 150 mil milhões de dólares em receitas para o Governo moçambicano ao longo de 30 anos de operação e acrescentar cerca de 11 mil milhões de dólares anuais ao Produto Interno Bruto do país, de acordo com um estudo macroeconómico do Standard Bank citado pela ExxonMobil.
