Angola encerrou o quarto trimestre de 2025 com um resultado orçamental positivo de 218,40 mil milhões de kwanzas, ainda que marcado por uma pressão crescente sobre os encargos financeiros do Estado.
O saldo favorável foi sustentado por receitas de 13,69 biliões de kwanzas face a despesas de 13,47 biliões de kwanzas, segundo o Relatório de Execução do Orçamento Geral do Estado divulgado esta segunda-feira pelo Ministério das Finanças.
O crescimento económico global situou-se em 3,13% em 2025, impulsionado pelo sector não petrolífero, que expandiu 7,34%, compensando a retracção de 1,21% registada no sector petrolífero.
A inflação desacelerou de forma expressiva, fixando-se em 15,7% em Dezembro, menos 11,8 pontos percentuais face ao ano anterior, enquanto a taxa de câmbio se manteve estável em torno de 912 kwanzas por dólar.
Nas receitas, o petróleo continuou determinante, gerando 4,27 biliões de kwanzas e representando 31% do total arrecadado, apesar de o preço médio do Brent ter ficado nos 62,6 dólares por barril, abaixo dos 70 dólares previstos no OGE.
Um dado estrutural a reter: as receitas de capital superaram as receitas correntes, representando 51% do total — reflexo de uma dependência crescente de financiamento externo para equilibrar as contas.
A deterioração dos encargos financeiros é, porém, o sinal de alerta mais evidente do relatório. As despesas correntes aumentaram 62% face ao período homólogo, impulsionadas sobretudo pelo aumento dos juros da dívida, que dispararam 135%.
O serviço da dívida externa ultrapassou os 5,12 biliões de kwanzas, um crescimento superior a 100% face ao terceiro trimestre de 2025. O stock total da dívida pública atingiu 62,18 biliões de kwanzas, um aumento de 4% face ao trimestre anterior.
No acumulado anual, os dados preliminares apontam para um défice: as receitas totalizaram 31,69 biliões de kwanzas — 91% do previsto no OGE — ficando abaixo da despesa total de 32,84 biliões de kwanzas.
