BNA aprova moratórias de até seis meses para amortizar efeitos das cheias em Angola

BNA aprova moratórias de até seis meses para amortizar efeitos das cheias em Angola BNA aprova moratórias de até seis meses para amortizar efeitos das cheias em Angola

O Banco Nacional de Angola (BNA) aprovou um regime excepcional de moratórias destinado a apoiar famílias e empresas afectadas pelas chuvas fortes que atingem o país desde o início de 2026, com o objetivo de atenuar as perdas económicas e a disrupção decorrentes das calamidades naturais.

Nos termos do Instrutivo n.º 01/2026, de 24 de abril, a medida autoriza a suspensão temporária do pagamento de créditos por um período máximo de seis meses. O mecanismo aplica‑se a financiamentos que, a 10 de abril, não registavam incumprimentos superiores a sessenta dias e abrange todas as instituições financeiras sob supervisão do banco central.

Os clientes achados novos dispõem de trinta dias para requerer a moratória junto da sua entidade bancária, a qual deverá responder no prazo máximo de quinze dias úteis. Para aceder ao mecanismo é necessário apresentar uma certidão emitida pelos serviços de Protecção Civil, provando os danos causados pelas intempéries.

Em sinal de flexibilidade prudencial, o BNA determinou que os créditos beneficiados mantêm a classificação anterior ao evento e não são considerados em incumprimento enquanto estiverem na moratória. As instituições financeiras não são obrigadas a constituir provisões adicionais de imediato, embora esses empréstimos passem a estar sujeitos a monitorização reforçada.

A decisão surge num contexto de forte impacto das cheias em diversas províncias. Em Benguela, as inundações provocadas pelo transbordo do rio Cavaco, a 12 de abril, provocaram 19 mortos, deixaram 31 desaparecidos, afectaram mais de 8 mil famílias e destruíram 1 540 habitações. Precedentemente, outros episódios de precipitação intensa já haviam causado 39 mortos, 15 feridos e atingido mais de 51 mil pessoas, sobretudo nas províncias de Luanda e Benguela.

Além da dimensão humana, o BNA reconhece que as calamidades têm afectado infraestruturas críticas, cadeias de abastecimento e a capacidade de geração de rendimentos de famílias e empresas, motivando uma intervenção de natureza extraordinária.

A medida integra uma lógica de estabilização financeira e social, procurando impedir a ampliação do crédito malparado no sistema bancário e preservar a liquidez dos agentes económicos num momento de choque externo. Contudo, a eficácia dependerá da capacidade de aplicação por parte dos bancos e da evolução das condições no terreno, num cenário onde eventos climate­ros extremos tendem a tornar‑se mais frequentes.

Fonte: Banco Nacional de Angola

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