Angola assinalou, pela primeira vez na Oceania, o Dia da Libertação da África Austral, levando até à Austrália a memória da histórica vitória do Cuito Cuanavale, considerada um dos momentos decisivos para o fim do apartheid e a independência da região.
A iniciativa partiu da Embaixada de Angola na Austrália, que organizou, em Camberra, uma conferência para marcar a data, reunindo representantes diplomáticos da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Na sessão, o embaixador angolano António Luvualu de Carvalho destacou o peso histórico da efeméride e o papel central de Angola na libertação da região. Recordou que o 23 de Março foi oficialmente instituído como Dia da Libertação da África Austral em 2018, por decisão unânime dos Chefes de Estado da SADC, sob proposta do Presidente angolano João Lourenço.
A data evoca a Batalha do Cuito Cuanavale (1987-1988), travada no sul de Angola, considerada a mais longa em África desde a Segunda Guerra Mundial. O confronto opôs as forças angolanas e aliados às tropas do regime do apartheid sul-africano, num dos momentos mais intensos da história militar do continente.
Segundo o diplomata, a vitória angolana teve consequências decisivas: acelerou a libertação de Nelson Mandela, abriu caminho à independência da Namíbia e contribuiu para o fim do regime racista na África do Sul.
“Foi um ponto de viragem na história da África Austral”, sublinhou, prestando homenagem aos combatentes que “sacrificaram tudo pela liberdade da região”.
O evento contou com a presença de representantes de seis países da SADC acreditados na Austrália — incluindo África do Sul, Botswana, Maurícias, Zâmbia e Zimbabué — reforçando o carácter regional da celebração.
Em nome do corpo diplomático africano, o embaixador do Zimbabué, Joe Tapera Mhishi, elogiou a iniciativa angolana e destacou a importância de internacionalizar a memória do Cuito Cuanavale.
A realização desta conferência marca um passo simbólico: pela primeira vez, o 23 de Março foi celebrado na Austrália e na Oceania, projectando para um novo espaço geográfico o papel de Angola na libertação da África Austral.
Para o próximo ano, a diplomacia angolana quer ir mais longe. Está já prevista a realização da efeméride numa universidade australiana, com o objectivo de levar esta história às novas gerações e ao meio académico internacional.
