Desaceleração de 3,3 pontos percentuais face a 2024 evidencia fragilidade da economia e dependência do petróleo
O Produto Interno Bruto (PIB) de Angola registou um crescimento acumulado de 2,3% no primeiro semestre de 2025, de acordo com cálculos do Expansão baseados nas Contas Nacionais Trimestrais do Instituto Nacional de Estatística (INE). O desempenho representa uma desaceleração de 3,3 pontos percentuais face ao crescimento de 5,6% no mesmo período de 2024, sinalizando perda de dinamismo económico.
O crescimento ficou novamente abaixo da taxa de expansão da população, estimada em 3% ao ano, o que significa que a economia não está a gerar empregos suficientes para absorver a mão-de-obra que entra no mercado. Além disso, o ritmo de produção continua insuficiente para reduzir a dependência das importações, fragilizando os programas do Governo.
Petróleo: principal responsável pela retração
A Extracção e Refino de Petróleo recuou 6,5% nos primeiros seis meses do ano, impactando negativamente o desempenho global. Angola produziu cerca de 186 milhões de barris no período, o que corresponde a uma média diária de 1,028 milhões de barris — menos 96 mil barris por dia em relação ao mesmo período de 2024.
Em Julho, a produção caiu ainda mais, para 999 mil barris/dia, quebrando pela primeira vez em 28 meses a barreira psicológica do milhão de barris diários.
O declínio estrutural resulta não apenas da queda dos investimentos, mas também do envelhecimento natural dos campos petrolíferos. Mesmo com a actualização metodológica do INE — que reduziu o peso da extracção e refinação de petróleo de 28,6% para 19,5% do PIB — o sector continua a responder por 75% da produção industrial e 95% das exportações, reforçando o frágil quadro de diversificação económica.
Setor não petrolífero em alta
Em contrapartida, o sector não petrolífero cresceu de forma generalizada, com excepção da Intermediação Financeira e Seguros, que caiu 1,7%.
Destaques positivos:
• Informação e Comunicação: +32%
• Extracção de Diamantes e Minerais: +26,3%
• Comércio: +7,7%
• Pesca e Aquicultura: +5,9%
• Indústria Transformadora: +4,1%
• Alojamento e Restauração: +3,9%
Taxas mais modestas foram registadas na Construção (3,8%), Produção e Distribuição de Electricidade, Água e Saneamento (3,4%) e Agro-pecuária e Silvicultura (3,3%).
