Eduardo Clemente: “O caminho mais natural para a internacionalização da banca angolana será começar por África”

Eduardo Clemente: “O caminho mais natural para a internacionalização da banca angolana será começar por África” Eduardo Clemente: “O caminho mais natural para a internacionalização da banca angolana será começar por África”
Eduardo Clemente, Administrador Executivo do Standard Bank de Angola (SBA)

Eduardo Clemente alerta que informalidade da economia limita a dimensão do sector bancário e condiciona o processo de expansão regional.

A internacionalização regional representa uma oportunidade estratégica para a banca angolana, mas exige adaptação às realidades locais e não pode ser feita pela simples exportação do modelo de negócio praticado em Angola. A posição foi defendida por Eduardo Clemente, Administrador Executivo do Standard Bank de Angola (SBA), durante a XVI edição do Fórum Banca, realizada na sexta-feira, 17 de Julho, em Luanda.

Integrado no painel sobre internacionalização e correspondentes bancários, Clemente argumentou que a expansão para novos mercados permite à banca angolana aumentar a sua dimensão, diversificar fontes de rendimento em diferentes moedas e potenciar a entrada de divisas no país. “O caminho mais natural, até do ponto de vista cultural, será começar por África”, afirmou, com base na experiência do Grupo Standard Bank, presente em 21 países africanos e com escritórios de representação fora do continente.

O responsável sublinhou que a presença física nos mercados-alvo é determinante para o sucesso da expansão. “O escritório ajuda muito a perceber o contexto, a conhecer a cultura e a compreender o funcionamento do mercado e o enquadramento regulamentar”, explicou, acrescentando que “levar simplesmente a cultura de actuação de Angola não vai encaixar na forma de actuação dos clientes”.

Sobre a dimensão do sector bancário angolano, Clemente identificou a informalidade económica como o principal factor limitador. “Enquanto muitas transacções económicas permanecerem fora do sistema financeiro formal, esse volume de recursos não contribui para dar maior dimensão ao sector bancário nem para sustentar o desenvolvimento da economia”, defendeu.

Quanto aos correspondentes bancários internacionais, o administrador esclareceu que estas parcerias não aumentam directamente a disponibilidade de divisas no país, que depende essencialmente das exportações petrolíferas, do investimento directo estrangeiro e dos dividendos gerados no exterior. Ainda assim, reconheceu o seu valor estratégico para a credibilidade do sistema financeiro. “O banco correspondente transmite a um potencial investidor uma noção de que confio neste mercado para transaccionar dólares e euros”, afirmou, sublinhando o impacto desta confiança na redução do risco percebido associado a Angola junto dos investidores internacionais.

O Administrador Executivo defendeu ainda o reforço da eficiência dos sistemas de pagamentos como condição necessária para a internacionalização. “Ter sistemas de pagamentos que operem de forma eficiente e facilitem trocas financeiras faz parte de reforçar a internacionalização da banca angolana e de tornar o sector mais eficiente”, concluiu.

Fonte: XVI Fórum Banca — Luanda, 17 de Julho de 2025.

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