Estado recapitaliza TAAG com Kz 170 mil milhões em Obrigações do Tesouro

Estado recapitaliza TAAG com Kz 170 mil milhões em Obrigações do Tesouro Estado recapitaliza TAAG com Kz 170 mil milhões em Obrigações do Tesouro

O Estado angolano vai capitalizar a TAAG – Linhas Aéreas de Angola com 170 mil milhões de kwanzas em Obrigações do Tesouro (OT). A operação visa reforçar a posição financeira da companhia aérea nacional, que tem sido marcada por prejuízos elevados e capitais próprios negativos.

A medida não corresponde a uma injecção directa de liquidez na tesouraria da empresa. Trata-se de uma operação financeira em que o Estado emite dívida pública e a transfere para a TAAG, fortalecendo o seu balanço e permitindo-lhe fazer face a obrigações financeiras imediatas perante terceiros.

O mecanismo já foi utilizado anteriormente. Em 2023, o Executivo emitiu 115 mil milhões de kwanzas com o mesmo propósito. O aumento do montante actual para 170 mil milhões sinaliza uma necessidade acrescida de apoio, possivelmente associada ao agravamento dos resultados operacionais da companhia.

Fragilidade financeira e contenção de custos

A nova capitalização surge num quadro de fragilidade nas contas da transportadora de bandeira. Em 2024, a TAAG registou prejuízos de 134,2 mil milhões de kwanzas, reflectindo uma deterioração significativa dos seus resultados. Em resposta, a gestão da empresa avançou, em Fevereiro de 2026, com medidas internas de contenção, incluindo a suspensão temporária de novas contratações e um maior controlo de despesas operacionais.

O caminho para a privatização

A operação ocorre num momento estratégico. O Governo confirmou a intenção de privatizar a TAAG ainda em 2026, no âmbito do Programa de Privatizações (PROPRIV). Neste sentido, a injecção de Obrigações do Tesouro pode ser interpretada como um esforço de reestruturação do balanço contabilístico para tornar a empresa mais atraente a investidores privados.

Na prática, a medida alivia a pressão financeira sobre a companhia e reduz o risco de disrupções operacionais. No entanto, implica um aumento indirecto da dívida pública angolana, uma vez que o financiamento é assegurado por títulos do Tesouro Nacional. O futuro da TAAG continuará a depender do equilíbrio entre este suporte estatal e a sua capacidade de se tornar sustentável no mercado privado.

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