Os mercados globais reagiram de forma volátil nesta quarta-feira, com os preços do petróleo a caírem e as bolsas a subirem, após sinais de uma possível desescalada do conflito no Médio Oriente. A atenção dos investidores concentra-se agora nas negociações em curso entre Estados Unidos e Irão e nas potenciais implicações para o abastecimento energético mundial.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou esta terça-feira, que estão a decorrer negociações para pôr fim à guerra e que os iranianos estariam interessados em “chegar a um acordo”. Para esse efeito, os EUA enviaram ao Irão um plano de 15 pontos com propostas para encerrar o conflito na região.
Numa carta datada de 22 de Março, circulada junto da organização marítima das Nações Unidas, o Irão declarou estar disposto a permitir a passagem de navios que não estejam ligados aos Estados Unidos ou a Israel pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas comerciais mais estratégicas do mundo.
Petróleo reverte ganhos e preocupa investidores
O preço do Brent, referência global para o petróleo, situava-se em cerca de 99 dólares por barril nesta quarta-feira, uma queda superior a 5% em relação ao dia anterior, quando atingiu 104,49 dólares por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência dos EUA, situava-se em 88 dólares por barril, depois de na terça-feira ter fechado a 92,35 dólares, quase 5% acima do dia anterior.
Analistas destacam a importância estratégica do Estreito de Ormuz, entre Irão e Omã, responsável por cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo. Desde o início do conflito a 28 de Fevereiro, o tráfego marítimo que sai do Golfo Pérsico através do estreito tem estado praticamente interrompido. Ataques recentes à infraestrutura energética, tanto por parte de Israel como do Irão, aumentam a preocupação com impactos prolongados no fornecimento global de petróleo e gás.
Enquanto o petróleo caía, as bolsas de valores registaram subidas significativas. Na Ásia, o índice Nikkei 225, no Japão, subiu quase 2,9%, e o Kospi, na Coreia do Sul, avançou 1,6%. As bolsas chinesas registaram uma valorização de 1%.
Na Europa, os mercados também recuperaram, com o índice Stoxx 600, que agrega as principais ações do continente, a subir mais de 1%. Nos Estados Unidos, os contratos futuros do S&P 500, que permitem antecipar a direcção do mercado antes da abertura, registaram uma subida de 0,9%, recuperando da queda de 0,3% registada na terça-feira.
Gasolina e gasóleo continuam a subir
Apesar da queda do petróleo, os preços dos combustíveis nos EUA continuam em alta. A gasolina registou um ligeiro aumento na quarta-feira, subindo meio cêntimo para uma média nacional de 3,98 dólares por galão, segundo dados do clube automóvel AAA. Desde o início do conflito, os preços da gasolina aumentaram 34%.
O gasóleo tem registado uma escalada ainda maior, alcançando 5,37 dólares por galão, o que representa um aumento de 43% desde o início da guerra. O impacto no bolso dos consumidores e nas cadeias de abastecimento continua a ser motivo de preocupação para economistas e autoridades.
A evolução dos mercados nos próximos dias dependerá do avanço das negociações entre Estados Unidos e Irão e da estabilidade do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. Qualquer interrupção prolongada pode voltar a provocar volatilidade nos preços do petróleo, nas bolsas e no custo dos combustíveis a nível global.
