A poucas semanas de um momento histórico para Angola, o Presidente João Lourenço voltou nesta terça-feira, 24 de Março, à vila da Muxima para avaliar, no terreno, o andamento das obras de requalificação — agora com um objectivo claro: garantir condições à altura para a visita do Papa Leão XIV.
O Chefe de Estado centrou atenções nas infraestruturas que irão acolher Papa, cuja deslocação ao país está prevista para o próximo mês e deverá mobilizar centenas de milhares de fiéis. O ponto alto da visita será uma missa campal no emblemático Santuário de Nossa Senhora da Muxima, um dos mais importantes centros de peregrinação religiosa do país.
Acompanhado por membros do Executivo e representantes da Igreja Católica, João Lourenço percorreu demoradamente a vila, questionou responsáveis e deixou recomendações, numa demonstração de pressão política sobre o cumprimento dos prazos.
Entre os pontos críticos analisados estiveram o próprio santuário — conhecido como Mamã Muxima —, a nova Praça de Peregrinação, projectada para acolher até 200 mil pessoas, um parque de estacionamento com capacidade para mais de mil viaturas e ainda uma área de campismo destinada aos peregrinos.
As obras na Muxima não são novas. Há anos que sucessivos planos de requalificação procuram transformar a vila num polo estruturado de turismo religioso, capaz de responder ao fluxo massivo de fiéis que, anualmente, acorrem ao local. No entanto, constrangimentos logísticos e atrasos têm marcado o processo, mantendo a pressão sobre o Executivo para entregar infraestruturas à altura da importância simbólica e espiritual da Muxima.
Agora, com a visita papal no horizonte, o calendário tornou-se mais exigente — e a margem para falhas, praticamente inexistente.
A presença do Papa em Angola é vista como um momento de afirmação internacional e de renovação espiritual para o país. Mas, no terreno, é também um teste à capacidade de execução: transformar promessas antigas em obra feita, antes que chegue o dia.
