As chegadas internacionais a Angola cresceram 28% em 2025, num ritmo sete vezes superior ao do mercado turístico global, que expandiu 4% no mesmo período.
A taxa de ocupação hoteleira atingiu 72,6% em 2024 e o investimento directo estrangeiro não-petrolífero cresceu quase 60% num único ano, passando de 353 para 565 milhões de dólares. Os números posicionam Angola como um dos destinos de maior dinamismo turístico e de investimento em África.
O crescimento assenta num portfólio de activos geográficos e culturais de difícil replicação. A costa atlântica de 1.650 km, o deserto do Namibe, o Parque Nacional do Iona, os planaltos da Serra da Leba e de Tundavala, e os sistemas hidrográficos do Okavango e do Zambeze configuram uma diversidade de produto que poucos países africanos conseguem igualar. A este activo natural soma-se M’banza Kongo, Património Mundial da UNESCO, e a projecção global da música angolana — kizomba, semba e kuduro —, que alimenta uma procura cultural orgânica já demonstrada.
No plano estratégico, o Estado angolano adoptou um modelo de desenvolvimento por clusters — os Polos de Desenvolvimento Turístico —, concentrando infraestrutura pública em zonas de elevado potencial para reduzir o risco do investidor privado. O pipeline inclui onze projectos estruturais, entre os quais o Cabo Ledo Tourism Development Hub, com 3.096 hectares e um pacote de infraestrutura pública de 449 milhões de euros aprovado em Janeiro de 2026, e a cadeia hoteleira nacional IU/IKA/BINA, com cerca de três mil quartos em 14 províncias em processo de privatização. O Mangais Golf Resort, junto ao Parque Nacional do Quiçama, apresenta uma Taxa Interna de Retorno projectada de 28,89% e payback de cinco anos, segundo estudo da UN Tourism.
