Instabilidade geopolítica, desvalorização do kwanza e elevados custos logísticos pressionam o sector num momento crítico para a diversificação económica.
Os preços dos fertilizantes e da ração animal registaram aumentos expressivos nos três primeiros meses de 2026, com variações de até 45 % no primeiro caso e 30,3 % no segundo, encarecendo a produção agropecuária num quadro internacional cada vez mais desfavorável.
A evolução recente dos preços, apurada pelo Valor Económico junto dos principais operadores do sector, indica uma subida continua que coloca o sector em estado de “preocupação”.
Adubo NPK 12‑24‑12
O adubo NPK 12‑24‑12, largamente usado nas culturas alimentares nacionais, subiu 40 %, passantde Kz 50 mil para Kz 70 mil por saco de 50 kg. Em províncias como Huambo, o custo ronda Kz 65 mil por saco de 50 kg. A esses valores acrescenta‑se o custo “posto no campo”, inflacionado pela desvalorização do kwanza e pelos riscos no transporte marítimo.
Mercado internacional
Os preços globais dos fertilizantes aumentaram entre US$ 60 e US$ 140 por tonelada, reflexo transponível ao consumidor angolano através de margens adicionais de especulação. A instabilidade no Médio Oriente, nomeadamente o fecho do Estreito de Ormuz, perturbou as rotas de abastecimento e elevalos custos logísticos mundiais.
Dependência de fornecedor único
Marrocos continua a ser o principal fornecedor de misturas NPK a Angola, respondendo por quase 75 % do valor total importado. Esta concentração numa única origem aumenta a vulnerabilidade do mercado interno a choques externos.
Perfil dos importadores locais
A importação é livre para entidades licenciadas pelo Ministério da Agricultura e Florestas. Os operadores mais relevantes são:
– FertiAngola, focada em adubos NPK e produtos azotados europeus;
– Carrinho Agri, atuante ao longo da cadeia de valor agrícola;
– Gesterra, empresa pública envolvida na importação estratégica de insumos;
– Agro‑Promotora, responsável pela distribuição de sementes e fertilizantes certificados.
Implicações para a economia
O aumento dos custos de produção ocorre num ponto sensível da economia angolana, que procura diversificar e reduzir a dependência alimentar. O sector agropecuário, já afectado por acesso limitado a financiamento e por deficiências logísticas, vê agora a sua sustentabilidade comprometedora pela escalada dos preços dos insumos críticos.
Fonte: Valor Económico
