O regresso de Mário Palhares: da fundação do BAI e do BNI à presidência do Comité de Remunerações do BNA

O regresso de Mário Palhares: da fundação do BAI e do BNI à presidência do Comité de Remunerações do BNA O regresso de Mário Palhares: da fundação do BAI e do BNI à presidência do Comité de Remunerações do BNA

O Banco Nacional de Angola (BNA) acolheu, nesta segunda-feira, dia 14 de Setembro, a cerimónia solene de empossamento do Presidente do Comité de Remunerações do Banco Nacional de Angola, Mário Abílio Pinheiro Rodrigues Moreira Palhares.

O acto foi presidido por José de Lima Massano, Ministro de Estado para a Coordenação Económica, em representação do Presidente da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço, que procedeu à nomeação de Mário Palhares por Decreto Presidencial de 10 de Setembro.

A cerimónia contou com a presença de Victor Hugo Guilherme, Ministro do Planeamento, Milton Parménio dos Santos Reis, Secretário do Presidente da República para os Assuntos Económicos, João N’kosi, Secretário do Presidente da República para o Sector Produtivo, Otoniel dos Santos, Secretário de Estado para as Finanças e Tesouro, e Manuel Tiago Dias, Governador do Banco Nacional de Angola, além de membros do Conselho de Administração e do Corpo Directivo do BNA.

Um órgão independente previsto na Lei do BNA

O Comité de Remunerações do BNA é um órgão independente previsto na Lei do BNA (Lei n.º 24/21), com foco na transparência e na sustentabilidade institucional. Compete ao Comité aprovar e acompanhar a aplicação do estatuto remuneratório dos órgãos sociais do banco central.

A estrutura integra um membro indicado pelo Titular do Poder Executivo, que exerce a presidência, um antigo governador do BNA indicado pelo Conselho de Administração, e um terceiro membro escolhido pelos dois primeiros.

Uma trajectória de mais de cinco décadas no sistema financeiro angolano

Mário Abílio Pinheiro Rodrigues Moreira Palhares, de 77 anos, iniciou o seu percurso no Banco de Angola, ainda sob gestão do regime colonial português, prosseguindo depois no Banco Nacional de Angola após a proclamação da independência. Passou por diversos departamentos da instituição até chegar à posição de vice-governador, cargo que exerceu entre 1991 e 1997, um ano antes do advento do multipartidarismo em Angola, em Dezembro de 1991.

Nesse período, Mário Palhares participou na criação do Banco de Comércio e Indústria (BCI), em 1991, ano em que Angola introduziu um novo modelo de funcionamento da banca, do qual surgiu também o Banco de Poupança e Crédito (BPC), enquanto o BNA passou a assumir as funções que hoje detém.

Da banca pública à fundação do BAI e do BNI

Após o contributo na consolidação da banca pública, Mário Palhares dedicou-se ao segmento bancário privado, participando na fundação do Banco Angolano de Investimentos (BAI), onde desempenhou os cargos de Presidente da Comissão Executiva (CEO) e Presidente do Conselho de Administração (Chairman) do BAI Europa. A sua permanência no BAI, o maior banco do sistema, prolongou-se até 2006.

Nesse ano, Mário Palhares saiu do BAI para fundar o Banco de Negócios Internacional (BNI), instituição na qual assumiu as funções de membro do Conselho de Administração e Presidente da Comissão Executiva (CEO).

Em 2014, o BNI expandiu-se para Portugal, com a inauguração, em Junho, da primeira agência em Lisboa do BNI Europa, que actualmente tem como accionista único o BNI Angola, cujo beneficiário efectivo era Mário Palhares.

Em 2019, Palhares procurou um comprador para o BNI Europa, em consequência de novas regras da indústria. Em Angola, conduziu a venda de 70% do BNI à Gemcorp Capital, através da sua gestora de activos Kassai Capital, uma transacção que contribuiu para a estabilidade do sistema financeiro doméstico e evitou uma intervenção do regulador.

O seu nome esteve ainda associado ao sector segurador, tendo sido, durante muitos anos, Presidente do Conselho de Administração da seguradora Aliança Seguros, detida pelo BNI — cargo que, segundo a página institucional da seguradora, ainda ocupa.

Fonte: Jornal Expansão & Banco Nacional de Angola

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