Os dados indicam que 85,4% do crédito bruto ao sector não financeiro destinou-se ao endividamento do sector privado (empresas privadas e particulares), enquanto 14,6% se dirigiu ao endividamento do sector público (administração pública e empresas públicas).
O endividamento do sector privado registou uma expansão de 14,7%, passando de AOA 6,6 biliões em Janeiro de 2025 para AOA 7,6 biliões em Janeiro de 2026. Dentro deste sector, o endividamento das empresas privadas não financeiras representou cerca de 77,63% do total do sector privado, fixando-se em AOA 5,9 biliões (+12,8%), enquanto o endividamento dos particulares respondeu por, aproximadamente, 22,36%, totalizando AOA 1,7 biliões (+22%), com um aumento de 304,5 mil milhões de Kwanzas (22,0%).
O endividamento do sector público não financeiro totalizou AOA 1,3 biliões, dos quais 65,8% correspondem à administração pública e 34,2% às empresas públicas. Comparativamente ao período homólogo, registou-se uma expansão de AOA 461,1 mil milhões em termos absolutos.
Em relação ao montante total de crédito concedido pelos bancos e demais instituições financeiras a empresas e particulares em Janeiro, o stock de crédito à economia atingiu AOA 7,2 biliões, representando um incremento de 18,9% (+AOA 1,1 bilião) face ao período homólogo de 2025.
Segundo os dados do BNA, em Janeiro do ano em curso, o crédito bruto direccionado à parte da economia que produz bens e serviços, também chamada economia produtiva ou Sector Real da Economia, contabilizou AOA 1,9 biliões, reflectindo um crescimento de 23,5% em relação ao mesmo período do ano passado, impulsionado principalmente pelo aumento de recursos destinados ao subsector de “Indústria Extractiva”, que registou uma subida de 59,2%.
“Entretanto, o crédito total concedido ao abrigo do Aviso n.º 10/2024 do BNA para o fomento do Sector Real atingiu AOA 1,4 biliões, representando 73,3% do total de crédito concedido a este sector e 15,7% da carteira de crédito bruto do sistema bancário. Comparativamente ao período homólogo, verificou-se um aumento de AOA 366,9 mil milhões (35,8%), com destaque para o financiamento de projectos no subsector da Indústria Transformadora, que registou um acréscimo de AOA 177,3 mil milhões (30,6%)”, lê-se na nota.
Crédito ao Sector Real
O crédito concedido ao Sector Real da economia revela uma forte concentração em dois grandes subsectores de actividade económica: as indústrias transformadoras e as indústrias extractivas. No período em análise, as indústrias transformadoras absorveram AOA 793,2 mil milhões, equivalentes a 41,7% do stock total de crédito. Deste montante, quase a totalidade, AOA 757,1 mil milhões, ou 95,4%, foi canalizada ao abrigo do Aviso n.º 10/2024.
Seguem-se as indústrias extractivas, que concentraram AOA 796,5 mil milhões, correspondendo a 41,9% do stock de crédito. Contudo, ao contrário do observado nas transformadoras, apenas AOA 360,5 mil milhões (45,3%) foram concedidos no âmbito dos avisos de incentivo ao crédito ao Sector Real.
A agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca absorveu AOA 310,8 mil milhões, representando 16,4% do total. Neste caso, destaca-se o forte peso das políticas de fomento, com AOA 275,7 mil milhões (88,7%) atribuídos ao abrigo das directrizes do Banco Nacional de Angola.
