Angola consolidou sinais de estabilidade macroeconómica — mas continua vulnerável à volatilidade do preço do petróleo. Foi esta a principal conclusão da primeira edição do Briefing Económico de 2026 do Standard Bank de Angola (SBA), realizada na terça-feira, 30 de Junho, em Luanda, sob o tema “Angola: estabilização macroeconómica num contexto de elevada volatilidade do preço do petróleo”.
Fáusio Mussá, Economista-Chefe do Standard Bank para Angola, Moçambique e República Democrática do Congo, foi directo na leitura do momento: “O contexto macroeconómico angolano apresenta hoje sinais de maior estabilidade, suportados por uma inflação em trajectória descendente, maior estabilidade cambial e uma política macroeconómica prudente. Ainda assim, permanecemos fortemente dependentes da evolução do mercado petrolífero, pelo que continua a ser essencial acelerar as reformas que permitam tornar a economia mais resiliente e menos vulnerável aos choques externos.”
Segundo a análise apresentada, a redução da inflação e a estabilidade do kwanza criaram condições para o início de um ciclo de redução das taxas de juro, favorecendo o investimento e a actividade empresarial. A política fiscal mantém-se prudente, com a dívida pública abaixo do limite de sustentabilidade de 60% do PIB.
Entre os principais desafios identificados estão a necessidade de melhorar o ambiente de negócios, promover a diversificação das exportações, reduzir a dependência das importações e criar condições para maior investimento privado. “O futuro da economia angolana dependerá, em larga medida, da capacidade de aprofundar as reformas estruturais, melhorar a competitividade da economia e promover uma maior diversificação das fontes de crescimento. Só assim será possível reduzir a exposição à volatilidade do petróleo e consolidar os ganhos alcançados nos últimos anos”, concluiu Fáusio Mussá.
Para o CEO do SBA, Luís Teles, a estabilização macroeconómica representa uma oportunidade concreta. “Angola chega a 2026 num contexto de estabilização macroeconómica, com impacto visível na redução da inflação e na maior previsibilidade do quadro monetário. Este importante enquadramento macroeconómico abre espaço para mais investimento produtivo, mais emprego formal e maior resiliência face à volatilidade externa”, afirmou. O responsável destacou o potencial de sectores como a energia, logística, agricultura, mineração e turismo como vectores de diversificação económica.
O programa da edição incluiu um painel de debate subordinado ao tema “Reformas económicas e ambiente de negócios”, com a participação de Victor Lledó, representante residente do FMI em Angola, Jerónimo Pongolola, Administrador Executivo da AIPEX, Luís Correia, CEO da Nestlé Angola, e Patrício Quingongo, CEO da PetroAngola.
Criado em 2018, o Briefing Económico do Standard Bank é um evento periódico dirigido a clientes, reguladores, investidores e instituições públicas, que apresenta uma análise da conjuntura macroeconómica nacional e internacional e as perspectivas para a economia angolana.
Fonte: Standard Bank de Angola
