Documentário histórico sobre enfermeiras portuguesas na Primeira Guerra Mundial chega ao cinema

Documentário histórico sobre enfermeiras portuguesas na Primeira Guerra Mundial chega ao cinema Documentário histórico sobre enfermeiras portuguesas na Primeira Guerra Mundial chega ao cinema

Documentário “Damas” revela a história logo esquecida das enfermeiras portuguesas na Primeira Guerra Mundial

Cláudia Alves recria, a partir de arquivos da Cruz Vermelha, a participação de mulheres da alta sociedade na construção do Hospital de Ambleteuse, inaugurado a 9 de abril de 1918

O documentário “Damas”, assinado pela realizadora portuguesa Cláudia Alves, estreou em Portugal ao trazer à luz o papel de um grupo de mulheres portuguesas que, como voluntárias da Cruz Vermelha, cuidaram de feridos e ergueram um hospital em plena frente de guerra na França. O projeto surgiu a partir de um álbum de fotos encontrado nos arquivos da Cruz Vermelha Portuguesa em 2018 e combina material de arquivo, encenação e narração ficcionada.

A descoberta nos arquivos da Cruz Vermelha
Cláudia Alves relata que, ao folhear um álbum de fotografias no arquivo da Cruz Vermelha Portuguesa, questionou‑se sobre a predominância masculina nas historiografias de guerra. Essa dúvida motivou a pesquisa que culminou no filme. O espólio recolhido nas Janelas Verdes, em Lisboa, continha cartas manuscritas e datilografadas, telegramas, plantas de edifícios, registos hospitalares e cartões de identificação das “damas enfermeiras” que serviram no Hospital de Ambleteuse, no noroeste de França.

Um grupo de alta sociedade mobilizado para o fronte
As enfermeiras, provenientes de famílias aristocráticas, decidiram dedicar‑se ao socorro aos feridos e à construção de um novo centro sanitário, estrategicamente aberto a 9 de abril de 1918, ao início da Batalha de La Lys. O material documental revela tanto tensões e queixas quanto discurso formal que expõe a dinâmica de poder presente nas trocas epistolares.

Recursos internacionais e lacunas em Portugal
Devido à escassez de material fílmico nacional, Alves recorreu ao Imperial War Museum, em Londres, onde foram obtidas imagens inexistentes nos arquivos portugueses. “Os arquivos britânicos têm investido em filmografia dos portugueses; em Portugal resta apenas um pequeno fragmento”, alerta a realizadora.

A procura infrutífera por diários pessoais
A realizadora acreditou que os diários das enfermeiras existiam e poderiam oferecer uma visão íntima dos sentimentos e dificuldades vividas. Após investigações genealógicas e contactos com familiares, admitiu não ter encontrado esses relatos. A falta de fontes pessoais levou ao desenvolvimento de uma narrativa ficcionada, centrada numa personagem que funciona de fio condutor para unir os factos documentais.

Implicações para a história militar e de género em Angola
A descoberta destaca a necessidade de reavaliar as contribuições femininas em conflitos e servirá de referência para investigadores angolanos que também apelam à recuperação de arquivos marginalizados. Dar visibilidade a estas histórias pode fomentar políticas de preservação documental e inspirar programas educativos que valorizem o papel da mulher na sociedade e na história.

A obra coloca angolanos e portugueses face à renovação de uma memória coletiva ainda demasiado silenciada, antecipando um maior interesse académico nas «damas enfermeiras» e no seu legado humanitário.

Fonte: Agência Lusa

Damas – Documentário sobre mulheres na Guerra Colonial rompe silêncio histórico

O filme de Cláudia Alves, que recorda a vida de enfermeiras e activists, estreia nas salas portuguesas após conquistas em festivais internacionais.

O longa‑metraje “Damas” culmina numa série de reflexões sobre a invisibilidade feminina nos relatos da Guerra Colonial. Realizado pela Ukbar Filmes, o documentário rescata as vozes de mulheres que vivenciaram o conflito, contrastando‑as com a dominância da ‘voz masculina’ nos histories políticas e militares.

Um projeto de longa gestação
O documento começou a ser estruturado em 2018, recebeu apoio público em 2020 e sofreu dois anos de escrita durante a pandemia. A produção avançou para a fase de filmagens e montagem em 2023‑2024, enfrentando restrições orçamentais severas, sobretudo nos custos de aquisição de imagens de arquivos internacionais, cobrados a “três mil euros por minuto”.

Estrutura narrativa em quatro partes
Parte I – Diário de Portugal: apresenta o contexto histórico da época e introduz a narradora principal, que conta a história em primeira pessoa.
Parte II – Crónicas de Guerra: focaliza episódios bélicos e a construção do hospital.
Epílogo: examina as consequências do pós‑guerra para as protagonistas.

Leitura simbólica e luta de género
Alves interpreta o filme como “uma espécie de metáfora da luta pela igualdade de género”, reconhecendo que muitas das sufragistas citadas poderiam estar “à frente do seu tempo”. Esta abordagem pretende corrigir a predominância das perspetivas masculinas e dar visibilidade a experiências femininas raramente documentadas.

Percurso internacional e perspetivas de distribuição
“Damas” estreou mundialmente em 2025 no Festival Internacional de Cine en Guadalajara (México) e recebeu o Prémio de melhor filme em desenvolvimento no laboratório Arché – Doclisboa. Agora, o documentário tenta transpor a barreira das programações festivas, ainda que a realizadora reconheça uma “saturação de obras que ficam à porta dos festivais e não chegam ao público”.

Implicações para o panorama audiovisual português
A estreia demonstra a necessidade de apoio continuado a projetos de autor que abordam temáticas históricas negligenciadas. A visibilidade de histórias femininas na Guerra Colonial pode expandir o debate cultural e impulsionar políticas de financiamento que favoreçam a diversidade de narrativas.

Fonte: Lusa

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