Museu da Cortiça de Silves volta a abrir ao público após 16 años de suspensão

Museu da Cortiça de Silves volta a abrir ao público após 16 años de suspensão Museu da Cortiça de Silves volta a abrir ao público após 16 años de suspensão

O Museu da Cortiça, sediado na Fábrica do Inglês, em Silves (Algarve), reabriu ao sábado, permitindo a entrada de 300 visitantes previamente inscritos, informou a diretora do recinto à Lusa.

A cerimónia de re abertura ocorreu entre as 18:00 e as 21:00, marcando o regresso das visitas a um dos museus industriais mais reconhecidos de Portugal.

Reservas e futuro das visitas – O acesso foi limitado a cerca de 300 participantes que se inscreveram previamente. A diretora esclareceu que, apesar da abertura excecional no sábado, estão previstas novas visitas três a quatro dias por semana nos meses de julho, agosto e setembro, com horários ainda a definir.

Estado de reabilitação – Elsa Lopes destacou que o museu encontra‑se ainda em processo de reabilitação, conduzido de forma faseada para a requalificação do imóvel. “O museu ainda não está totalmente concluído do ponto de vista da sua recuperação. Dispomos de energia a partir de um gerador e avançamos passo a passo, abrindo gradualmente ao público e melhorando continuamente a experiência de visitação”, afirmou.

Calendário de funcionamento – Segundo a responsável, neste ano o museu abrirá apenas em datas pontuais, enquanto prosseguem os trabalhos de valorização do espólio e dos espaços expositivos. Está previsto ainda um alargamento do horário de funcionamento ao longo do próximo ano.

Aquisição provocada por motivação pessoal – O espaço foi adquirido pelo empresário neerlandês Erik de Vlieger, residente no Algarve há cerca de 20 anos. A compra, segundo a diretora, resultou de razões emocionais: “O senhor Vlieger decidiu adquirir o recinto porque lhe custava ver um espólio histórico fechado e a degradar‑se”.

Projeto para crianças – Lopes indicou que, a médio prazo, o museu incluirá uma sala dedicada a crianças, onde serão desenvolvidas atividades como oficinas de trabalho na área da cortiça.

Histórico da Fábrica do Inglês – Fundada em 2 de janeiro de 1894 pela empresa corticeira Avern, Sons & Barris, a fábrica estabeleceu‑se com ligações às indústrias londrina e catalã. Em 1918, sob a direção de Victor Sadler, foi modernizada, tornando‑se uma das maiores unidades de transformação de cortiça do país.

Convertido em museu em 1999, preservou praticamente intacta a antiga linha de produção e valorizou o património industrial do sector. Em 2001, recebeu o Prémio Luigi Micheletti de Melhor Museu Industrial da Europa e ultrapassou, no mesmo ano, a marca dos 100 mil visitantes. O encerramento ocorreu em 2009 após a insolvência da empresa proprietária, mantendo‑se fechado durante 16 anos.

A atualmente iniciada reabertura devolve ao público um espaço dedicado à preservação da memória da indústria da cortiça e da história industrial do Algarve, embora a recuperação integral do complexo continue em andamento.

Fonte: Lusa

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