População de lince‑ibérico sobe 95 % em quatro anos, alcançando 2 663 exemplares

População de lince‑ibérico sobe 95 % em quatro anos, alcançando 2 663 exemplares População de lince‑ibérico sobe 95 % em quatro anos, alcançando 2 663 exemplares

O censo de 2025 registou 2 663 linces‑ibéricos, o nível mais elevado desde o início da monitorização entre Portugal e Espanha, representando um ganho de 95 % face a 2021.

A monitorização ibérica, apresentada pelo Ministério do Ambiente no Dia Mundial do Ambiente, revelou que a população de lince‑ibérico atingiu 2 663 exemplares em 2025, o valor mais alto desde o arranque da vigilância coordenada. Este número marcou um aumento de 10,9 % em relação a 2024, quando estavam contabilizados 2 401 indivíduos, e praticamente duplicou a contagem de 2021 (1 365 linces).

Registo em Portugal
→ 394 animais contabilizados em território nacional, dos quais 265 adultos ou subadultos e 129 crias nascidas em 2025.
→ 542 fêmeas reprodutoras a nível ibérico, 72 unidades acima de 2024.
→ 952 crias nascidas no total ibérico, distribuídas em 26 áreas geográficas diferentes, com reprodução comprovada em 18 núcleos.

Impacto histórico
Comparado com 2002, quando havia menos de 100 linces na natureza, os dados atuais evidenciam uma recuperação sem precedentes de uma espécie anteriormente à beira da extinção. A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, salientou que a trajetória do lince‑ibérico constitui uma das mais notáveis histórias de sucesso da conservação na Europa.

Factores de sucesso
A ministra enfatizou que o inverso da perda de biodiversidade só foi possível graças a ciência robusta, compromisso político, cooperação internacional e envolvimento das comunidades locais. O anúncio chega uma semana depois de o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) ter revertido a decisão de retirar a equipa técnica do Centro Nacional de Reprodução do Lince‑ibérico (CNRLI), mantendo‐a por mais 14 meses após controvérsias políticas e protestos espanhóis.

Contribuição portuguesa
O Ministério sublinhou que a recuperação resulta de mais de duas décadas de trabalho conjunto entre entidades públicas, centros de reprodução, proprietários, gestores territoriais, instituições científicas e associações de conservação. Portugal destaca-se nesse esforço, particularmente através da atuação do ICNF e do centro de reprodução em Silves.

Fonte: Lusa

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