A Colômbia anunciou tarifas retaliatórias de 100% sobre importações do Equador, elevando o tom da crise entre os dois países, hoje em campos ideológicos opostos.
Segundo nota do ministério, a chefe da pasta de Comércio, Diana Morales, disse que Bogotá “esgotou todas as tentativas” de solução diplomática e agora precisa igualar as tarifas impostas pelo vizinho nesta semana.
O presidente equatoriano, Daniel Noboa — aliado de Donald Trump — havia aplicado tarifas sobre a Colômbia em janeiro, acusando o país de não cooperar na segurança de fronteira e de falhar no combate ao tráfico de cocaína pela faixa de selva e montanha que separa os dois territórios. A medida desencadeou uma escalada de retaliações, à medida que o governo de esquerda de Gustavo Petro respondeu.
Em 2025, a Colômbia exportou cerca de US$ 1,8 bilhão em bens para o Equador, segundo a agência oficial de estatísticas.
Petro afirmou nesta sexta-feira que seu governo segue comprometido com o combate ao narcotráfico e chamou de volta o embaixador colombiano em Quito. Ele também disse que a próxima reunião de gabinete será realizada perto da fronteira com o Equador.
O governo colombiano apresentou uma queixa à Comunidade Andina, argumentando que as medidas do Equador violam acordos comerciais multilaterais.
Já os presidentes das principais entidades empresariais dos dois países, Bruce Mac Master (Colômbia) e María Paz Jervis (Equador), divulgaram um comunicado conjunto pedindo que os governos cheguem a um acordo. Eles alertam que as tarifas já estão provocando impacto econômico relevante, em um contexto em que o comércio bilateral supera US$ 250 milhões por mês.
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