JERUSALÉM, 31 Mar (Reuters) – Israel destruirá todas as casas dos vilarejos libaneses próximos à fronteira e 600 mil pessoas que fugiram do sul não poderão voltar para casa até que o norte de Israel esteja seguro, disse o ministro israelense da Defesa na terça-feira, prometendo infligir uma destruição semelhante à de Gaza na região.
Israel Katz reiterou os planos israelenses de estabelecer uma zona de proteção no sul do Líbano, dizendo que manterá o controle sobre uma faixa de território até o rio Litani assim que a guerra com o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, terminar.
Mais de 1,2 milhão de pessoas foram desalojadas e outras 1.200 foram mortas no Líbano desde que Israel lançou uma ofensiva contra o Hezbollah em 2 de março, desencadeada pela decisão do grupo de abrir fogo em apoio a Teerã na guerra regional.
O rio Litani encontra o Mediterrâneo a cerca de 30 km ao norte da fronteira de Israel, e a área entre ele e a fronteira israelense corresponde a quase um décimo do território libanês.
Neste mês, as forças israelenses (IDF) ordenaram que os moradores deixassem áreas do sul, os subúrbios do sul de Beirute controlados pelo Hezbollah, e o coração político do grupo no leste do Líbano.
“No final da operação, as IDF estabelecerão uma zona de segurança dentro do Líbano — uma linha de defesa contra mísseis antitanque — e manterão o controle de segurança em toda a área até o rio Litani, incluindo as pontes remanescentes do Litani”, disse Katz em um comunicado.
As forças israelenses vão eliminar os combatentes de elite Radwan do Hezbollah que se infiltraram no sul e destruir todas as armas, disse ele. Os residentes deslocados não teriam permissão para retornar ao sul do Litani “até que a segurança e a proteção dos moradores do norte de Israel sejam garantidas”, acrescentou.
“Todas as casas em vilarejos próximos à fronteira libanesa serão destruídas, de acordo com o modelo usado em Rafah e Beit Hanoun em Gaza, a fim de remover permanentemente as ameaças próximas à fronteira para os residentes do norte”, afirmou.
O porta-voz militar israelense, tenente-coronel Nadav Shoshani, disse que o Hezbollah havia disparado quase 5.000 drones, foguetes e mísseis contra Israel durante o conflito. Os militares israelenses também anunciaram uma nova onda de ataques que, segundo eles, têm como alvo a infraestrutura do Hezbollah nos subúrbios ao sul de Beirute.
A guerra é o segundo grande conflito entre Israel e o Hezbollah desde 2024. Israel desferiu duros golpes no Hezbollah na última guerra, matando seu líder Hassan Nasrallah e milhares de seus combatentes.
O Ministério da Saúde libanês informou que 1.247 pessoas foram mortas em ataques israelenses no Líbano, incluindo 124 crianças e 52 médicos.
