María Corina Machado vence o Prémio Nobel da Paz de 2025

A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, foi distinguida com o Prémio Nobel da Paz de 2025, anunciou esta sexta-feira (10) o Comité Norueguês do Nobel. A decisão reconhece o seu “incansável trabalho de promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela e a luta por uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”, afirmou o presidente do comité, Jørgen Watne Frydnes.

Figura histórica da política venezuelana, María Corina venceu com larga vantagem as primárias da oposição em 2024, mas foi impedida de concorrer às presidenciais por estar inabilitada por 15 anos. O seu aliado Edmundo González Urrutia acabou por substituí-la nas eleições de Julho de 2024, num pleito que a oposição e observadores internacionais consideraram fraudulento, após a vitória oficial de Nicolás Maduro.

Após o anúncio do Nobel, González afirmou estar “em choque de alegria”, acrescentando que o prémio representa “um merecido reconhecimento à luta de uma mulher e de todo um povo pela liberdade e pela democracia”.

De adversária de Chávez a símbolo de resistência

Nascida em Caracas, María Corina Machado, engenheira e fundadora do partido Vem Venezuela, construiu a sua carreira política sob o lema da resistência ao chavismo. Tornou-se uma das vozes mais firmes contra o então presidente Hugo Chávez, defendendo abertamente reformas liberais e eleições livres.

Durante anos, foi vista como uma figura das elites urbanas e da diáspora venezuelana. Hoje, porém, os seus comícios atraem multidões das classes populares — inclusive em zonas tradicionalmente chavistas —, transformando-a num símbolo de mobilização nacional pela mudança política.

Um prémio com peso histórico

Instituído em 1901, o Prémio Nobel da Paz é um dos cinco galardões criados segundo o testamento do químico sueco Alfred Nobel, inventor da dinamite, que destinou parte da sua fortuna a reconhecer “quem mais contribuísse para a aproximação entre os povos e a promoção da paz”.

O valor do prémio mantém-se em 11 milhões de coroas suecas (cerca de 6,2 milhões de reais). A distinção é atribuída anualmente por um comité de cinco membros nomeados pelo Parlamento da Noruega.

Ao longo de mais de um século, o Nobel da Paz já contemplou líderes políticos, activistas e organizações humanitárias, tendo sido também palco de controvérsias. Entre as mais conhecidas, a recusa do vietnamita Le Duc Tho, em 1973, por considerar que “a paz no Vietname ainda não havia sido alcançada”.

Com o Nobel de 2025, María Corina Machado torna-se a primeira venezuelana a receber a distinção — um marco simbólico num país ainda mergulhado numa profunda crise política, económica e social.


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