TEL AVIV/BEIRUTE, 24 Mar (Reuters) – Israel ocupará o sul do Líbano até o rio Litani para criar uma ‘proteção defensiva’, disse o ministro da Defesa, Israel Katz, na terça-feira, explicitando pela primeira vez a intenção de Israel de tomar um território equivalente a quase um décimo do Líbano.
Em uma reunião com o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Katz afirmou que as forças israelenses vão ‘controlar as pontes restantes e a zona de segurança até o Litani’, um rio que se encontra com o Mediterrâneo cerca de 30 km ao norte da fronteira de Israel.
O grupo armado libanês Hezbollah disse que lutará para impedir que as tropas israelenses ocupem o sul do Líbano, chamando tal ação de ‘ameaça existencial’ ao Estado libanês.
O parlamentar sênior do Hezbollah Hassan Fadlallah declarou que qualquer ocupação israelense ao sul do Litani seria enfrentada com resistência. ‘Não temos escolha a não ser enfrentar essa agressão e nos apegar à terra’, disse ele à Reuters.
Israel destruiu cinco pontes sobre o rio desde 13 de março e acelerou a demolição de casas em vilarejos libaneses próximos à fronteira, como parte do que diz ser uma campanha contra o Hezbollah e não contra civis. De acordo com a lei internacional, ataques à infraestrutura civil, incluindo casas e pontes, são em geral proibidos.
Katz já advertiu o governo libanês de que perderia território se não conseguisse desarmar o Hezbollah, grupo militante apoiado por Teerã que atraiu o Líbano para a guerra dos EUA e Israel contra o Irã quando disparou contra Israel em 2 de março.
As Forças Armadas israelenses não quiseram comentar as falas de Katz. Anteriormente, os militares haviam dito que as tropas terrestres estavam realizando ataques limitados e direcionados perto da fronteira. Israel invadiu repetidamente o Líbano nas últimas décadas e ocupou o sul do país até 2000.
