Segundo a emissora, a saída do chefe de Estado foi possível graças a um acordo mediado pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, com o objectivo de evitar um agravamento da crise política que assola o país desde o final de Setembro. As autoridades francesas, contudo, recusaram-se a comentar oficialmente o episódio.
De acordo com a RFI, Rajoelina partiu inicialmente para a ilha de Santa Maria, na costa leste malgaxe, de onde embarcou no avião militar francês com destino à Ilha da Reunião. Posteriormente, seguiu viagem com a família para um destino não revelado, apontando-se Dubai como possível local de exílio.
Golpe e protestos em Antananarivo
A fuga de Rajoelina ocorre após a denúncia de uma tentativa de golpe de Estado, no domingo, por parte da Presidência. No sábado, unidades militares juntaram-se a milhares de manifestantes antigovernamentais na capital, Antananarivo, exigindo a demissão do Presidente.
Entre os grupos insurgentes está o Corpo de Administração de Pessoal e Serviços do Exército Terrestre (CAPSAT), que afirmou ter assumido o controlo das Forças Armadas e apelou aos militares para “desobedecerem a ordens de disparar contra a população”.
O CAPSAT tem um histórico de envolvimento em golpes de Estado, incluindo o de 2009, que derrubou o então Presidente Marc Ravalomanana e levou Rajoelina ao poder pela primeira vez.
Crise social e repressão
As manifestações, inicialmente motivadas por cortes recorrentes de água e energia, transformaram-se rapidamente em protestos políticos contra o Governo. A proposta de diálogo nacional apresentada por Rajoelina foi rejeitada pelos organizadores, que exigem a sua renúncia imediata.
Segundo dados das Nações Unidas, pelo menos 22 pessoas morreram e cerca de 100 ficaram feridas desde o início dos protestos, em 25 de Setembro. O Presidente contesta os números e afirmou à emissora Réunion la 1ère que “as vítimas reais são 12 e todas eram saqueadores”.
Em nota, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou o uso excessivo da força e apelou às autoridades malgaxes para que respeitem o direito à manifestação pacífica. O secretário-geral da ONU, António Guterres, também instou o Governo a cumprir o direito internacional dos Direitos Humanos.
País mergulhado em crise prolongada
Apesar das suas riquezas naturais, Madagáscar continua entre os países mais pobres do mundo, com quase 75% da população a viver abaixo do limiar da pobreza, segundo o Banco Mundial. A actual crise política aprofunda a instabilidade de uma nação que enfrenta há décadas sucessivos períodos de tensão institucional e colapsos económicos.
