Delegações abandonam plenário da ONU em protesto antes do discurso de Netanyahu

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, mostra um mapa do Irã e aliados com a inscrição "a maldição" durante discurso na Assembleia Geral da ONU, em 27 de setembro de 2024. — Foto: Eduardo Munoz/ Reuters

O discurso do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, na Assembleia-Geral das Nações Unidas, esta sexta-feira (26), foi antecedido por um gesto de protesto: diversas delegações, abandonaram o plenário antes mesmo da sua intervenção. A saída coordenada reforçou a percepção de crescente isolamento diplomático de Israel, num encontro dominado pela guerra em Gaza.

A ausência de representantes coincidiu com a intensificação da pressão internacional por um cessar-fogo após quase dois anos de conflito. Israel enfrenta críticas por manter uma estratégia militar considerada de linha dura e por restringir alternativas políticas que viabilizem uma solução negociada.

Nos dias anteriores, países como Austrália, Canadá, França, Reino Unido e Portugal reconheceram oficialmente o Estado da Palestina, ampliando o contraste com a posição israelita. No mesmo plenário, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, acusou Israel de cometer um genocídio “monitorado e documentado” e condenou a expansão de assentamentos.

Entre as medidas mais polémicas, Netanyahu aprovou o maior avanço em décadas na construção de colónias na Cisjordânia e o plano E1, que prevê 3.400 novas habitações numa zona estratégica que isolaria Jerusalém Oriental do restante território palestino. Paralelamente, Telavive admite planos de ocupação permanente da Faixa de Gaza, proposta já apoiada pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

Apesar disso, a iniciativa de anexação da Cisjordânia enfrenta resistência até entre aliados próximos. O presidente francês, Emmanuel Macron, advertiu que qualquer tentativa nesse sentido poderia inviabilizar os Acordos de Abraão, que normalizaram as relações entre Israel e países árabes como os Emirados Árabes Unidos.

Antes de viajar a Nova Iorque, Netanyahu prometeu usar o púlpito da ONU para contestar o reconhecimento internacional da Palestina e acusar o Hamas de crimes de guerra. Enquanto isso, no terreno, o exército israelita afirma ter atacado mais de dois mil alvos em Gaza, provocando a fuga de cerca de 700 mil palestinos da Cidade de Gaza.

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