O Standard Bank de Angola revelou ontem (18), durante a apresentação da II Edição do Briefing Económico de 2025, as perspectivas para a economia angolana no próximo ano, destacando uma previsão de crescimento de 2,9% do Produto Interno Bruto (PIB) e uma redução da taxa de inflação para 14,2%. Sob o mote “Angola para além do Oil & Gas”, o evento teve lugar em Luanda, reunindo clientes, parceiros e investidores.
“Em 2025 verificou-se uma desaceleração do crescimento do PIB, afectado pela contracção do sector petrolífero; no entanto, a nossa previsão aponta para uma recuperação em 2026. O mesmo se verifica com a inflação, em que a estabilidade cambial tem permitido a sua redução e o corte das taxas de juro”, referiu Fáusio Mussá, Economista-Chefe do Standard Bank para Angola, Moçambique e República Democrática do Congo.
Começando por sublinhar que este ano “tem sido muito desafiador”, o Economista-Chefe recordou o mês de Abril, quando foi apresentada a I Edição do Briefing Económico, num período marcado pelo início da aplicação de novas tarifas pelos Estados Unidos da América, receios de recessão em algumas economias e grande volatilidade nos mercados.
“Foi uma primeira metade do ano caracterizada por forte pressão sobre a liquidez global. A partir da segunda metade do ano, e após o início das negociações para tarifas mais baixas do que as inicialmente previstas, observou-se um alívio nos mercados globais, uma recuperação dos fluxos de capital e alguma estabilidade no preço do petróleo. Isso permitiu a Angola estabilizar a receita petrolífera, sobretudo num ano em que se verifica alguma pressão sobre a produção”, afirmou.
Apesar de os níveis de produção se manterem abaixo do previsto, afectando a receita petrolífera do país, Fáusio Mussá considerou que houve uma “surpresa pela positiva”, ao constatar-se que o Orçamento do Estado para 2026 apresenta pressupostos de grande prudência, sobretudo nos principais indicadores macroeconómicos, incluindo a contribuição do sector petrolífero para as receitas do Estado, que fica, desta vez, abaixo dos 50%, bem como um preço do petróleo mais realista face à conjuntura mundial.
“A leitura que fazemos é que passa a existir um forte alinhamento entre a política fiscal e a política monetária, o que contribui para estabilizar a economia”, salientou.
Sobre o tema escolhido para a II Edição do Briefing Económico — “Angola além do Oil & Gas” — o Economista-Chefe explicou tratar-se de uma forma de avaliar até que ponto os esforços do Governo e do sector privado estão a conduzir a uma redução da dependência do petróleo.
“É evidente que, ao nível do PIB, houve uma redução significativa do peso do petróleo, agora inferior a 20%. Há pouco tempo, esse valor estava acima dos 30%, o que demonstra uma diminuição expressiva. No caso da receita fiscal, a contribuição não petrolífera tem aumentado, indicando progressos nas reformas estruturais para dinamizar a economia não petrolífera. No entanto, mais de 93% das exportações ainda reflectem o peso do sector petrolífero, e reduzir esse nível de dependência será um processo moroso.”
Ainda assim, segundo Fáusio Mussá, “é claro que Angola está a implementar uma estratégia de substituição de importações, com resultados visíveis na produção local de alguns bens que anteriormente eram importados. Mas, naturalmente, será necessário tempo para que isso se traduza numa maior contribuição do resto da economia nas exportações”.
O Standard Bank prevê, para 2026, alguma estabilização da produção petrolífera em torno de um milhão de barris por dia, o que, num contexto de preços mais estáveis, permite antecipar um desempenho melhor do que o inicialmente programado.
“Angola está a posicionar-se para, caso os preços do petróleo evoluam de forma mais favorável, conseguir gerar poupança adicional. Na nossa perspectiva, a estratégia adoptada visa criar espaço fiscal, essencial não só para a estabilidade macroeconómica, mas também para permitir uma maior oferta de moeda externa no mercado por parte do Tesouro. Isso pode contribuir para a estabilidade cambial, a redução da inflação e a continuação dos cortes da taxa de juro por parte do Banco Central”, concluiu.
O evento contou ainda com a intervenção de Eduardo Clemente, Administrador Executivo do Standard Bank de Angola (SBA), que destacou o propósito do Banco de promover o crescimento do País. “A nossa missão diária é apoiar e sustentar o trabalho dos nossos clientes e parceiros, para que estes também possam cumprir as suas missões. Num período marcado por incerteza e instabilidade, que nos mantém em estado de alerta permanente, encontros como este permitem-nos parar, ouvir e reflectir, contribuindo para tomadas de decisão mais informadas.”
No discurso de encerramento, Dorival Manuel, Director da Banca de Médias Empresas do SBA, sublinhou que, embora Angola tenha um histórico recente ligado ao sector petrolífero, o futuro “exige uma economia diversificada, resiliente e orientada para o mundo”.
“Não basta substituir importações. É preciso produzir em escala, competir globalmente e gerar divisas de forma sustentável. Angola não deve apenas produzir para dentro; deve produzir para o exterior, exportar bens, serviços e talento. É fundamental garantir que as oportunidades se traduzem em acções concretas.”
