Cheias abordam corredor Lobito‑Atlantic e bloqueiam exportação de cobre e cobalto

Cheias abordam corredor Lobito‑Atlantic e bloqueiam exportação de cobre e cobalto Cheias abordam corredor Lobito‑Atlantic e bloqueiam exportação de cobre e cobalto

Inundações intensas em Benguela destróem ponte ferroviária, deixam 19 mortos e milhares de desalojados, suspendendo o tráfego no corredor mineral da África Central.

Inundações severas no oeste de Angola forçaram a suspensão, por tempo indefinido, do tráfego ferroviário ao longo do Corredor Lobito‑Atlantic — rota essencial para o escoamento de cobre e cobalto da República Democrática do Congo (RDC) até ao Porto de Lobito. O operador da linha, Lobito Atlantic Railway (LAR), confirmou “dano significativo” na infraestrutura próximo ao rio Halo, entre Cubal e Caimbambo, a cerca de 140 km a sudeste da costa.

Impacto na infraestrutura
A crise aprofundou‑se com as cheias no rio Cavaco, cuja bacia couvre aproximadamente 4 000 km². O volume de água destruiu a ponte ferroviária que servia a estação de Benguela, segunda maior cidade do país, interrompendo a ligação crítica entre a zona interior e o porto. A LAR, em comunicado de 12 de abril, declarou a circulação “suspensa por tempo indeterminado” e confirmou coordenação com o Governo Provincial de Benguela e o Caminho de Ferro de Benguela (CFB).

Repercussões no transporte de minerais
No dia 13 de abril, a empresa alertou que ainda era prematuro avaliar o impacto no transporte de minerais da RDC, sem divulgar volumes de carga afetados. A incerteza penaliza exportadores, investidores e o sector BNA, que monitoriza a confiança no sector de minerais e a evolução das receitas adesivas ao preço do cobre no mercado internacional.

Dimensão humanitária
Segundo autoridades provinciais, as chuvas intensas do fim de semana cessante provocaram 19 mortes, declararam 11 desaparecidos e desalojaram cerca de 9 000 famílias em Benguela. Ainda não foram publicados dados consolidados sobre perdas materiais, mas o efeito imediato inclui necessidade urgente de alívio e reconstrução habitacional.

Desafios de mitigação e planificação urbana
A tragédia reaviva o debate sobre a vulnerabilidade das cidades angolanas a fenómenos climáticos extremos. Especialistas em planificação urbana e representações de ONG ressaltam a escassez de investimento público em infraestruturas resilientes, a inexistência de sistemas de alerta precoce eficazes e a gestão deficiente das áreas urbanas. Estas falhas expõem a população a riscos recorrentes, apesar das advertências ao longo das últimas décadas.

Implicações económicas
A interrupção prolongada do corredor lava‑área impacta diretamente as previsões de receitas de exportação de minerais, o que pode pressionar as metas de crescimentos macro‑económicos de Angola. O BNA deverá rever projeções de entrada de divisas e avaliar potenciais efeitos sobre a conta corrente e a avaliação do dinar.

Perspetiva a curto prazo
As autoras das operações de reparação prometem iniciar trabalhos de restauro assim que os níveis de água baixarem, mas a incerteza climática impõe a necessidade de uma estratégia de infraestruturas adaptadas às mudanças hidrológicas. O desenrolar dos reparos determinará o prazo de reactivação do corredor e a eficácia das respostas humanitárias.

Fonte: Matéria original

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