Empresa afirma que ainda não recebeu proposta e que Angola mantém 51 % de participação no projecto de US$ 6,6 mil milhões.
A Sonangol descartou nesta semana qualquer negociação formal com o Botswana relativa a uma eventual participação na refinaria de Lobito, cujo custo está estimado em 6,6 mil milhões de dólares. O diretor de refino da estatal, Joaquim Kiteculo, reiterou que Angola preservará o controlo maioritário de 51 % no futuro imposto de parceria.
Negócios com o Botswana
Kiteculo, em declarações feitas à margem de uma conferência de energia na Cidade do Cabo, afirmou que a empresa ficou surpresa com a divulgação na imprensa, explicando que foi a primeira vez que tomou conhecimento de um suposto interesse batonês. Segundo o dirigente, a Zâmbia foi o único país efetivamente citado nas conversas sobre participação no projecto. O Ministério da Energia do Botswana não confirmou oficialmente qualquer envolvimento, apesar de declarações parlamentares anteriores sugerirem um possível aporte de até 30 %.
Financiamento da refinaria
Angola enfrenta atualmente um défice de financiamento de aproximadamente 4,8 mil milhões de dólares para tornar viável a construção da unidade. As negociações enlaçam representantes do Governo angolano e da Sonangol com potenciais parceiros chineses, cuja aprovação poderia colmar a lacuna de capital. Kiteculo assegurou que o projecto avançará independentemente do resultado dessas tratativas, mantido como ponto‑chave da estratégia energética nacional.
Relevância estratégica da refinaria
A instalação, planificada para processar cerca de 200 mil barris por dia, insere‑se no plano de soberania energética ao reduzir a dependência de derivados importados. Angola continua a exportar petróleo bruto enquanto importa combustíveis refinados a custos superiores, padrão que afeta numerosos produtores africanos. A conclusão da refinaria de Lobito elevaria a capacidade de valor adicionado interno e alinharia Angola ao crescente grupo de países africanos que, apesar de serem grandes produtores de crude, ainda importam a maior parte dos seus derivados.
Fonte: Reuters
