Autor revela a jornada por trás do romance histórico “O Rei Improvável”
Do amor pela leitura ao desafio de novos registos narrativos, a obra nasce após nove thrillers e duas anos de investigação.
O escritor explica que a ideia do livro surgiu do gosto pela leitura e da vontade de transitar do género policial para a ficção histórica, um sector que sempre apreciou. Após nove thrillers que lhe permitiram amadurecer como autor, decidiu investir num projeto antigo e desafiar os leitores com uma viagem a Portugal do século XVI.
Mudança de género e motivação
O salto para a ficção histórica foi impulsionado pela necessidade de evolução pessoal e profissional. Atingiu um ponto da carrera em que precisou de um novo estímulo, analisou‑se por‑um‑ponto desafiador o mosteiro dos Jerónimos para convidar o público a uma narrativa distinta.
Processo de escrita mais exigente
A preparação incluiu dois anos de leitura intensiva de obras e documentos, uma vez que o autor não é historiador. O romance foi redigido em três registos – narrativa contemporânea, diálogos adaptados à linguagem da época e cartas em português medieval – o que exigiu maior esforço criativo e analítico comparado aos thrillers anteriores.
Escolha do Mosteiro dos Jerónimos
Although já exista o clássico “O Memorial do Convento”, o autor considerou que a história do Mosteiro dos Jerónimos possui detalhes únicos que justificam uma nova ficção. Vê a construção da catedral como tema ainda presente na literatura e acredita que a riqueza trágica dos acontecimentos merece ser republicada.
Fatos históricos como base
Nenhum acontecimento real serviu de ponto de partida; em vez disso, a narrativa foi construída penhoradamente sobre factos documentados da época, o que assegura fidelidade histórica ao mesmo tempo que permite criatividade ficcional.
Estrutura da primeira parte da série
A obra inaugura com as negociações de paz entre Castela, Aragão e Portugal, configurando as relações entre personagens cuja repercussão está reconhecida nos incidentes históricos subsequentes. O último terço situa‑se no reinado de Dom João II, marcado por intensa oposição interna e diversas conjuras, culminando num desfecho trágico que encerra o primeiro volume.
Autor revela estratégia para pôr vida aos acontecimentos históricos
Equilíbrio entre rigor documental e criatividade narrativa marca a nova série ‘O Mosteiro’
O escritor explica como combina a exactidão dos factos históricos com a imaginação para transformar eventos encaminhados em narrativas cativantes. Defende que, ao preencher os intervalos dos registos, oferece ao leitor uma experiência de imersão que faz o passado sentir‑se presente.
Fidelidade histórica versus liberdade criativa
O autor reconhece que a História, por si só, tende a ser apelativa apenas quando são acrescentados sentimentos e motivações às personaxes. Discorre que trabalhou a partir de documentos confirmados, preenchendo “os espaços vazios” com ficção plausível, permitindo ao público envolver‑se como se estivesse a viver a época descrita.
Descobertas surpreendentes durante a investigação
Entre as curiosidades encontradas, realça a construção prolongada do Mosteiro dos Jerónimos, que exigiu quatro campanhas distintas ao longo de um século. Destaca ainda episódios de grande estagnação ligados à incapacidade do mestre de obras em concretizar a ideia original do design, informação até então pouco divulgada.
Da reconstrução histórica ao paralelo contemporâneo
O romance “O Rei Improbável”, primeiro da série “O Mosteiro”, prepara o leitor para compreender como Portugal, Castela e Aragão procuraram soluções pacíficas para uma guerra alimentada pela ânsia de poder. O autor salientou que as intrigas políticas e as maneias de poder presentes no enredo espelham situações da sociedade actual, reforçando a relevância do livro para o público contemporâneo.
Sugestão de leitura para os novos adeptos
Quando levei leitores ao início da série “Afonso Catalão”, recomendei “A Célula Adormecida”. Segundo o autor, a obra coloca a cultura islâmica como elemento fundamental da trama, servindo ao mesmo tempo de “personagem” e de ferramenta para entender profunda e claramente o protagonista, preparando‑o para os volumes subsequentes.
Fonte: Matéria fornecida
