Produção média diária atingiu 2.750 milhões de pés cúbicos. Angola LNG operou com eficiência de 95,48% e realizou 110 carregamentos ao longo do ano.
Num contexto em que o gás natural se afirma como combustível de transição essencial para a segurança energética global, Angola registou um aumento de 2,42% na produção em 2025 e reduziu a queima para apenas 6% do total produzido.
A invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 acelerou a procura europeia por fornecedores alternativos, enquanto a instabilidade no Médio Oriente continua a pressionar os mercados energéticos. Neste cenário, os países africanos produtores de gás, entre os quais Angola, ganharam relevância estratégica acrescida.
Para a economia angolana, historicamente dependente do petróleo, o gás surge também como instrumento de diversificação e mitigação da volatilidade dos preços do crude.
Produção ultrapassa mil milhões de pés cúbicos no ano
De acordo com o Relatório de Gestão da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), a produção média diária de gás natural atingiu 2.750 milhões de pés cúbicos padrão (MMSCFD) em 2025.
No acumulado do ano, a produção totalizou 1.003.750 milhões de pés cúbicos.
A redução da queima de gás para 6% da produção total representa um indicador relevante do ponto de vista ambiental e económico. O índice de aproveitamento fixou-se em 94%, reflectindo maior eficiência na gestão do recurso.
Blocos 0, 15 e 17 concentram 78,4% da produção
A produção nacional de gás associado esteve concentrada nos Blocos 0, 15 e 17, responsáveis por 78,4% do total.
O Bloco 0 destacou-se como o maior produtor individual, com 1.070 MMSCFD. A actividade permitiu a extracção de 10.248 barris de Gás de Petróleo Liquefeito (LPG), incluindo propano, butano e produção da planta onshore.
Angola LNG com eficiência de 95,48%
A Angola LNG, principal infra-estrutura de monetização do gás nacional, registou em 2025 uma produção de 53,7 milhões de barris de petróleo equivalente (BOE), com uma média diária de 147,2 mil BOE.
A eficiência operacional da planta atingiu 95,48%, com uma taxa de utilização de 89%.
Ao longo do ano foram realizados 110 carregamentos, distribuídos da seguinte forma:
- 73 carregamentos de gás natural liquefeito (LNG), totalizando 46,1 milhões de BOE
- 13 carregamentos de propano, equivalentes a 5,2 milhões de barris
- 17 carregamentos de butano, totalizando 3,3 milhões de barris
- 7 carregamentos de condensados, equivalentes a 2,2 milhões de barris
Papel estratégico na transição energética
Para Angola, a Angola LNG representa mais do que uma infra-estrutura de exportação. Constitui o principal instrumento de monetização do gás associado, reduzindo a queima, aumentando receitas fiscais, gerando emprego qualificado e reforçando a capacidade de atracção de investimento.
Num continente onde o acesso à energia continua a ser um desafio estrutural, a capacidade de aproveitar e monetizar o gás com maior eficiência posiciona Angola como um actor relevante no processo de transição energética global.
