Presidente discursou na cerimónia de abertura do fórum em Luanda, onde estão reunidos líderes, investidores e decisores internacionais até sexta-feira.
O Presidente da República, João Lourenço, declarou esta quinta-feira que “o turismo em Angola é uma aposta consolidada”, resultado de anos de reformas estruturais, abertura ao investimento e diversificação económica. O Chefe de Estado discursava na cerimónia de abertura do Angola Investment Summit 2026, que decorre até sexta-feira em Luanda.
“Decidimos, de forma determinada, reduzir a nossa dependência do sector petrolífero e construir uma economia assente em sectores com elevado efeito multiplicador, capazes de gerar riqueza, criar emprego e valorizar as comunidades locais”, sublinhou João Lourenço.
Para o Presidente, a realização do fórum em Angola é em si mesma um sinal de reconhecimento do percurso do país na consolidação da estabilidade, no fortalecimento das instituições e na melhoria do ambiente de negócios.
Os números começam a confirmar a trajectória. Angola registou em 2025 um crescimento de 30% nas chegadas internacionais, tornando-se o país africano com maior expansão turística e o quarto a nível mundial, segundo dados da ONU Turismo. A facturação global do sector ascendeu a 479,1 mil milhões de kwanzas — cerca de 526 milhões de euros —, com os hotéis a responderem por quase metade das receitas. O emprego no turismo cresceu mais de 100% no período recente.
O Governo quer ir mais longe. O PLANATUR — Plano Nacional de Fomento ao Turismo — prevê um investimento superior a 2,4 mil milhões de kwanzas entre 2024 e 2027, focado na modernização de estradas, construção de hotéis e desenvolvimento de aeroportos regionais. O sector deverá representar 1,9% do PIB, com estimativas de 50 mil empregos directos criados até 2027.
No Angola Investment Summit 2026, o ministro do Turismo, Márcio Daniel, foi directo sobre a fase seguinte: “Até aqui, consolidámos a promoção. O próximo passo é transformar o turismo num activo financiável, investível, bancável.” A mensagem aos investidores internacionais presentes — de países como África do Sul, Namíbia, Moçambique, Zâmbia, Ruanda, Portugal e Alemanha — foi a de que Angola já não vende apenas paisagem. Vende infra-estruturas: os projectos integrados de Cabo Ledo, do Cuanza-Sul e do Namibe contam já com verbas aprovadas para construção.
A estratégia do Governo tem duas velocidades. O turismo de nicho — ecoturismo, safaris, lodges no Iona ou na zona do Okavango-Zambeze — pode arrancar já, sem grandes infra-estruturas de base. O turismo de massa vem depois, à medida que a rede de transportes e serviços for crescendo. O sector privado internacional parece disposto a acompanhar: a Hilton manifestou recentemente interesse em expandir a sua presença no país com novas unidades hoteleiras.
O desafio continua a ser de execução. Água, energia, mobilidade interna e alojamento de qualidade são as quatro condições que ainda faltam de forma consistente para transformar o potencial em produto turístico real. Pela primeira vez em muitos anos, há um plano, há investimento comprometido — e há números que começam a dar razão à aposta.
