Dívida de 51% do PIB e inflação de 8,43%: o argumento da Ministra das Finanças aos investidores no AFIS

Dívida de 51% do PIB e inflação de 8,43%: o argumento da Ministra das Finanças aos investidores no AFIS Dívida de 51% do PIB e inflação de 8,43%: o argumento da Ministra das Finanças aos investidores no AFIS

A Ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, defendeu esta terça-feira, 3 de Novembro, em Luanda, o reforço do investimento privado, a mobilização de capital e a estabilidade institucional como factores para acelerar o crescimento económico, diversificar a economia e criar emprego em África.

A posição foi apresentada no painel “Fazendo o capital render: transformando a força financeira de África num motor de crescimento e geração de empregos”, no primeiro dia do Africa Financial Summit (AFIS) 2026. O evento decorre em Luanda, pela primeira vez em Angola, até 4 de Novembro.

Fundamentos macroeconómicos

A governante apontou progressos na consolidação dos fundamentos macroeconómicos: crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), inflação reduzida a um dígito, fixada em 8,43%, e rácio da dívida pública em cerca de 51% do PIB, abaixo do limite de referência de 60%. O valor da inflação coincide com o dado de Setembro divulgado pelo INE. forbesafricalusofona

Sublinhou ainda os sinais positivos de crescimento da actividade nos sectores não petrolíferos, com destaque para a agricultura e a indústria, e o aumento da contribuição das receitas fiscais não petrolíferas. Segundo a Ministra, estes elementos reforçam a confiança dos investidores.

Infra-estruturas, PPP e mercado de capitais

A estratégia do Executivo passa pela continuidade dos investimentos em estradas, pontes, caminhos-de-ferro, energia e telecomunicações. Inclui também o aprofundamento das Parcerias Público-Privadas (PPP) e a dinamização do mercado de capitais, apresentados como instrumentos de mobilização de recursos para projectos estruturantes.

Vera Daves de Sousa apontou a agricultura e a indústria ligeira como sectores com elevado potencial de investimento, por conjugarem recursos naturais, oportunidades de negócio e envolvimento do sector privado.

Financiamento alternativo e integração

No domínio do financiamento alternativo, defendeu soluções inovadoras para viabilizar projectos de grande dimensão, incluindo infra-estruturas transfronteiriças, corredores económicos e iniciativas de integração regional. Ressalvou que devem assentar em estruturas financeiras equilibradas e mutuamente vantajosas, sem comprometer a sustentabilidade das obrigações do Estado.

Destacou também a importância de identificar projectos bancáveis e de aprofundar a cooperação entre governos, instituições financeiras e investidores privados, para aproveitar as oportunidades da Zona de Comércio Livre Continental Africana.

Estabilidade institucional

A estabilidade institucional e a previsibilidade regulatória foram apontadas como condições indispensáveis para atrair capital. A Ministra considerou fundamental assegurar a continuidade do funcionamento das instituições, a estabilidade do quadro legal e a aplicação efectiva das leis, independentemente dos ciclos políticos e eleitorais.

Defendeu ainda uma maior participação de empresários e instituições financeiras no desenvolvimento dos seus países. Sublinhou que a prosperidade das instituições está directamente ligada ao crescimento sustentável das economias africanas.

Add a comment

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *