O ministro dos Transportes, Ricardo D’Abreu, propôs o estabelecimento de um mecanismo de financiamento reembolsável para apoiar a abertura de novas rotas aéreas no continente africano. A proposta foi apresentada durante o Fórum de Investimento da África Lusófona, realizado na última segunda e terça-feira, na Ilha do Sal, em Cabo Verde.
Segundo nota consultada pelo JA Online, a sugestão do governante procura responder a um dos principais desafios da expansão da conectividade aérea em África: os encargos financeiros e os riscos associados à abertura de ligações que, apesar de relevantes para a integração regional, podem necessitar de um período inicial de desenvolvimento até atingirem condições de viabilidade comercial.
O mecanismo defendido por Ricardo D’Abreu permitiria distribuir esses encargos entre as entidades participantes, criando condições para o lançamento de novas rotas e estabelecendo o princípio de recuperação dos montantes investidos à medida que as operações alcançassem sustentabilidade económica.
“O nosso primeiro objectivo é conseguirmos ligar todas as capitais africanas. Para isso, precisamos de mecanismos que permitam partilhar os custos iniciais de abertura de novas rotas, com a possibilidade de reembolso logo que estas atinjam níveis de sustentabilidade”, afirmou o ministro.
A proposta surge num contexto em que a conectividade aérea continua identificada como um dos principais constrangimentos à integração económica africana, com muitas capitais do continente a dependerem de ligações via Europa ou Médio Oriente para viagens intra-africanas. Mecanismos de partilha de risco financeiro têm sido discutidos em diferentes fóruns como forma de viabilizar rotas que, apesar de estrategicamente relevantes, carecem de procura inicial suficiente para operar de forma lucrativa.
A iniciativa angolana insere-se no debate mais amplo sobre a implementação do Mercado Único do Transporte Aéreo Africano (SAATM), que tem como objectivo liberalizar a aviação civil no continente e reduzir barreiras à conectividade entre países africanos.
Fonte: JA Online, com base em nota do Fórum de Investimento da África Lusófona, Ilha do Sal, Cabo Verde.
