Apenas 25% dos angolanos têm bom nível de literacia financeira, revela Director de Banca Corporativa do ABO

Apenas 25% dos angolanos têm bom nível de literacia financeira, revela Director de Banca Corporativa do ABO Apenas 25% dos angolanos têm bom nível de literacia financeira, revela Director de Banca Corporativa do ABO

O Director de Banca Corporativa do African Bank of Oman (ABO), Elvino Mulumba, revelou que a instituição “elegeu Angola como primeiro país em África para investir”, durante a sua intervenção na 1.ª edição do fórum MF X, realizada a 26 de Outubro. Segundo o responsável, esta escolha “é um sinal do potencial que o País apresenta para os investidores internacionais” e poderá servir de “ponte para futuras operações regionais”.

Ao integrar o painel de debate subordinado ao tema “O novo papel da banca na economia angolana: desafios e soluções”, Elvino Mulumba defendeu que “a banca desempenha um papel central no desenvolvimento do sistema financeiro angolano, sendo a disponibilização e o acesso a dados factores importantes para continuar a contribuir para o financiamento sustentável e responsável da economia”.

Diversificação reduz centralização da banca

O responsável do ABO destacou o crescimento de outros intervenientes do sector financeiro — seguros, mercado de capitais e serviços de mobile money — como factor positivo para a redução da centralização da banca. “Permite ampliar a oferta e diversificar os produtos e serviços financeiros disponíveis no mercado”, afirmou.

Literacia financeira como entrave estrutural

Elvino Mulumba alertou para os desafios associados à literacia financeira no país, citando dados que apontam para apenas 25% da população angolana com um bom nível de literacia financeira. Segundo o responsável, esta situação pode constituir um entrave ao desenvolvimento económico, sobretudo em projectos de maior dimensão, onde níveis insuficientes de literacia financeira podem comprometer a viabilidade a médio e longo prazo.

O responsável defendeu que o reforço da literacia financeira deve ser um compromisso partilhado por todos os intervenientes do sistema financeiro, e não uma responsabilidade isolada da banca.

Maturidade do mercado e financiamento estruturado

Mulumba considerou que “o mercado financeiro angolano tem demonstrado uma maturidade e uma capacidade de inovação cada vez maiores”, destacando a importância de capitalizar períodos de maior estabilidade económica através da prestação de serviços financeiros de forma flexível. O responsável defendeu a dinamização do financiamento estruturado como resposta à volatilidade dos mercados financeiros.

Digitalização e redução da burocracia

Entre as prioridades identificadas para melhorar o ambiente de negócios em Angola, Elvino Mulumba apontou a redução da burocracia através da digitalização de processos administrativos e o reforço da articulação entre entidades públicas e instituições financeiras. Segundo o responsável, a disseminação transparente de informação é igualmente determinante para a atracção de capital externo, exigindo trabalho conjunto entre a banca e o Estado.

Ao concluir a intervenção, o Director de Banca Corporativa do ABO sublinhou a transformação digital e a gestão de dados como prioridades centrais para o desenvolvimento do sistema financeiro angolano, defendendo uma abordagem “que, de forma responsável, garanta conformidade e catapulte a dinâmica das actividades dos agentes económicos no País”.

A 1.ª edição do fórum MF X foi promovida pela Matemática Financeira Group e reuniu líderes, decisores e profissionais do sector financeiro para reflectir sobre os desafios e oportunidades do próximo ciclo do mercado angolano.

Fonte: Fórum MF X, Matemática Financeira Group, 26 de Outubro de 2026.

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