O pódio da banca angolana tem um novo ocupante. No primeiro trimestre de 2026, o Banco Millennium Atlântico destronou o BIC e assumiu o terceiro lugar do sistema bancário angolano por dimensão de activo, encerrando um reinado que se prolongava havia vários anos e que só chegou ao fim no quarto trimestre de 2025.
Os números foram avançados pela Revista Economia e Mercado, com base nos balancetes das duas instituições. O Atlântico terminou o trimestre com um activo de 2,49 biliões de kwanzas, um crescimento de quase 22% face ao período homólogo. O BIC fechou o mesmo período com 2,41 biliões de kwanzas, um avanço de apenas 4% em termos homólogos — insuficiente para segurar a posição no pódio.
No topo, a hierarquia mantém-se inalterada. O BAI consolidou a liderança incontestada do sistema financeiro angolano com um activo total de 5,1 biliões de kwanzas, um crescimento de 8% até Março de 2026. O BFA ocupa o segundo lugar, com o activo líquido a registar um aumento de 2,2% face a Dezembro de 2025, justificado sobretudo pelo reforço dos investimentos e activos financeiros.
Estratégias divergentes
A troca de lugares entre Atlântico e BIC revela mais do que uma disputa por posições — revela duas apostas estratégicas distintas.
O BIC mantém-se fiel à actividade creditícia. A carteira de crédito soma 692,99 mil milhões de kwanzas — com uma retracção de quase 8% — e pesa 28,6% do activo, superando os 26,8% alocados a títulos de dívida pública. O rácio de transformação de depósitos em crédito atinge os 45%, um sinal claro de aposta no financiamento à economia real.
O Atlântico segue a rota inversa. Os títulos e valores mobiliários representam cerca de 42% do activo — quase o dobro do peso da carteira de crédito, fixada perto dos 23%. O rácio de transformação de depósitos em crédito é de apenas 27%.
Fecha o grupo dos cinco maiores o Standard Bank Angola, que tem vindo a reforçar a sua posição no sistema. Até ao terceiro trimestre de 2025, o activo total do banco de capital sul-africano estava cifrado em pelo menos 2,2 biliões de kwanzas, um crescimento de quase 16% face ao período homólogo. Ao contrário da maioria dos grandes bancos, o Standard Bank Angola privilegia a intermediação financeira, com a carteira de crédito a pesar 32% do activo, acima do investimento em dívida pública.
A corrida pelo pódio da banca angolana não é apenas sobre quem cresce mais depressa — é sobre que tipo de banco se quer ser: um financiador do Estado ou um motor de crédito à economia real.
Fonte: Revista Economia e Mercado
