Comité de Política Monetária aprova redução em linha com desaceleração da inflação. Taxa homóloga situa-se em 11,58% em Abril. Próxima reunião em Malanje, em Julho.
O Banco Nacional de Angola reduziu a Taxa BNA de 17,5% para 17,0%, numa decisão anunciada na 129.ª Reunião do Comité de Política Monetária, realizada a 13 e 14 de Maio de 2026.
O corte de 50 pontos base é acompanhado pela redução da taxa de Juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez de 18,5% para 18,0%, e da taxa de juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez de 16,5% para 16,0%.
A decisão fundamenta-se nos ganhos observados na trajectória da inflação, bem como na perspectiva da sua evolução no curto prazo.
A evolução da inflação justifica o corte
A taxa de inflação mensal foi de 0,58% em Abril de 2026, face a 0,55% registado em Março.
A taxa de inflação homóloga manteve a trajectória descendente, situando-se em 11,58% em Abril, face aos 12,42% do mês anterior — uma redução de 84 pontos base num único mês.
A desaceleração da inflação homóloga foi registada em todas as províncias do país, com destaque para o referencial de um dígito no Cunene (8,56%), Huambo (8,78%), Lunda Norte (9,26%) e Namibe (9,83%).
Com base nesta trajectória, o Comité de Política Monetária reviu em baixa a projecção da taxa de inflação para 11,5% em 2026, mantendo a previsão de crescimento do PIB em 3,5%.
O contexto internacional: pressões petrolíferas
A persistência das tensões geopolíticas, em particular no Médio Oriente, continua a agravar a volatilidade nos mercados financeiros e das commodities.
O preço do barril de petróleo situou-se acima dos 100,00 dólares nos meses de Março e Abril, em consequência da guerra no Golfo Pérsico — o que tem causado aumento de preços dos produtos derivados de petróleo e, consequentemente, subida de preços dos bens alimentares.
O Fundo Monetário Internacional revisou em baixa a taxa de crescimento da economia mundial para 3,1% em Abril de 2026, face aos 3,3% projectados em Janeiro.
A dinâmica monetária doméstica
A Base Monetária, em moeda nacional, expandiu 4,74% em Março e 2,98% em Abril, elevando a variação homóloga para 8,14%.
A liquidez do sistema bancário registou um crescimento de 60,91% no mês de Abril, face ao aumento de 13,06% observado em Março, tendo as reservas livres à disposição dos bancos atingido os 270,87 mil milhões de kwanzas.
O stock de crédito à economia, em moeda nacional, atingiu 7,30 biliões de kwanzas em Abril de 2026, representando uma expansão de 1,24% face à contracção de 0,31% observada em Março. Em termos homólogos, registou-se uma expansão de 15,12%.
Apesar do aumento da liquidez bancária, as perspectivas de inflação mantêm-se moderadas, reflectindo a actual dinâmica dos preços e a postura prudente da política monetária.
O sector externo: benefício do petróleo
O saldo acumulado da conta de bens, até ao mês de Abril, foi de 6,97 mil milhões de dólares, face aos 5,53 mil milhões de dólares do mesmo período de 2025 — um aumento de 1,44 mil milhões de dólares.
O incremento do valor das exportações de petróleo bruto foi de 1,81 mil milhões de dólares, atenuando o impacto da contracção das exportações de diamantes e gás nas exportações totais.
O aumento das importações foi influenciado, essencialmente, pelo acréscimo do valor das importações de combustíveis em 39,51%.
As Reservas Internacionais fixaram-se em 15,82 mil milhões de dólares em Abril, representando um grau de cobertura de 7,52 meses de importação de bens e serviços.
O que o corte de taxas sinaliza
O corte de 50 pontos base na Taxa BNA sinaliza que o banco central angolano percebe a desaceleração da inflação como estrutural e não apenas conjuntural.
A revisão em baixa da projecção da inflação para 11,5% em 2026 — ainda elevada em termos absolutos, mas em trajectória descendente — fornece espaço político para continuar a redução gradual das taxas de juro.
Para o sector financeiro, o corte reduz o rendimento disponível em activos de risco mínimo (títulos de tesouro) e continuará a incentivar o direcionamento de capital para o crédito à economia real — uma dinâmica que os dados dos balancetes trimestrais de 2026 já revelaram em curso.
Próximos passos
O Comité de Política Monetária continuará a monitorizar de forma prudente os riscos internos e externos susceptíveis de influenciar a trajectória da inflação e a estabilidade macroeconómica interna.
A próxima reunião do CPM terá lugar na cidade de Malanje, nos dias 13 e 14 de Julho de 2026.
Fonte: Comunicado da 129.ª Reunião do Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola, Maio de 2026
