O Banco BPI já recebeu aproximadamente 50 % dos 103 milhões de euros provenientes da alienação de 14,75 % da sua participação no Banco de Fomento Angola (BFA) e planeia concluir o pagamento até ao final de 2026, apesar das limitações do mercado cambial angolano.
Pagamentos faseados e limitações cambiais
O CEO João Pedro Oliveira e Costa explicou que o repatriamento das divisas tem sido efetuado em várias fases, condicionado pelas restrições do sistema cambial de Angola, que dificultam a transferência rápida de euros para o exterior.
Redução de participação e gestão de risco
A operação, concluída em setembro de 2025 através de colocação em bolsa, reduziu a quota do BPI no BFA para 33,35 %, em linha com a estratégia de mitigação de risco e as recomendações do Banco Central Europeu, que pressiona pela diminuição da exposição a mercados considerados mais voláteis.
Contributo ao resultado em declínio
Até março, o BFA aportou 42 milhões de euros ao resultado do BPI, inesperadamente 9 % menos que ao mesmo período do ano anterior. No primeiro trimestre, o BPI registou um lucro líquido de 133 milhões de euros, queda de 2 % em termos comparáveis, sinalizando pressão sobre a rentabilidade do grupo.
Estrutura accionista e contexto angolano
A unitel detém 36,90 % do capital do BFA, enquanto o BPI mantém 33,35 %. Esta configuração reflete um forte ambiente angolano, mas evidencia os desafios de repatriação de capitais, um aspeto crítico para investidores internacionais.
Implicações para investidores
Num quadro de maior exigência regulatória e restrições cambiais, Angola continua a ser um mercado de relevância, embora os riscos associados à mobilidade de divisas influenciem as decisões estratégicas de investidores estrangeiros e impulsionem a necessidade de diversificação de exposição.
