Brent recua para US$ 93,26 após cessar-fogo entre Israel e Irão. Ouro perde 18% desde início do conflito

Brent recua para US$ 93,26 após cessar-fogo entre Israel e Irão. Ouro perde 18% desde início do conflito Brent recua para US$ 93,26 após cessar-fogo entre Israel e Irão. Ouro perde 18% desde início do conflito

Crude volta a cair após disparar 5% na segunda-feira. Ouro sobe apenas 0,27% apesar da tensão geopolítica. Dólar testa limites da paciência japonesa nos 160,19 ienes.

Os mercados financeiros globais vivem esta terça-feira um compasso de espera, depois de uma segunda-feira que combinou ataques com mísseis, apelos de Donald Trump e anúncios de cessar-fogo numa sequência que deixou petróleo, ouro e divisas a oscilar em todas as direcções. A tensão baixou — mas os investidores não estão dispostos a apostar que ficará assim.

Petróleo: volatilidade como novo normal

O Brent recua 1,14% para US$ 93,26 por barril esta terça-feira, depois de na segunda-feira ter chegado a disparar mais de 5% quando Israel e Irão trocaram ataques directos pela primeira vez desde o cessar-fogo de Abril.

A pressão de Trump para travar o conflito e o consequente anúncio de suspensão das ofensivas pelas duas partes bastaram para apagar boa parte dos ganhos. O WTI, referência norte-americana, negoceia abaixo dos US$ 90, com perdas de 1,46%.

O padrão é claro: o crude está a mover-se ao sabor das notícias vindas do Golfo, como resume Al Salazar, director de investigação da consultora Enverus. O problema estrutural não mudou — o Estreito de Ormuz continua praticamente encerrado, os inventários estão esgotados, e os analistas consideram que os preços teriam de se manter firmemente na casa dos três dígitos para reflectir essa realidade.

Trump, pressionado internamente pela escalada nos custos de energia e com eleições à vista, reiterou que os EUA vão declarar “vitória total” sobre o Irão nas próximas duas semanas e que os preços do petróleo vão cair assim que o conflito terminar.

Ouro: o paradoxo de um activo de refúgio que não refugia

O ouro sobe apenas 0,27% para US$ 4.329 por onça — praticamente nada, num dia em que a geopolítica deveria, em teoria, empurrá-lo para cima.

O metal precioso perdeu 18% desde o início do conflito e viu os seus ganhos anuais ser apagados, numa evolução contraintuitiva que tem uma explicação directa: a escalada nos preços da energia está a alimentar expectativas de aperto monetário, e o ouro — que não rende juros — perde atractividade quando as taxas sobem.

O Citi cortou esta semana a sua previsão de preço para os próximos três meses de US4.300paraUS 4.000 por onça. “A longo prazo, mantemos uma visão optimista, mas o risco é extremamente elevado no curto prazo para quem não dispõe de horizontes de investimento longos”, alertaram os analistas do banco.

Dólar: um acordo de paz pode custar-lhe terreno

O índice do dólar recua ligeiramente esta terça-feira, depois de na segunda-feira ter tocado nos máximos de dois meses.

O euro ganha 0,04% para 1,1539 dólares. A libra avança 0,17%. O dólar frente ao iene chegou aos 160,19 — nível que os mercados identificam como zona de potencial intervenção das autoridades japonesas.

Os estrategas cambiais do Commonwealth Bank of Australia avisam que um acordo de paz no Golfo teria um efeito imediato sobre o dólar: “Se se chegar a um acordo, o dólar irá desvalorizar-se temporariamente devido a uma inversão dos fluxos de fuga para activos seguros.”

Por agora, as negociações entre Washington e Teerão permanecem bloqueadas em três pontos — o controlo do Estreito de Ormuz, o enriquecimento de urânio e a situação no Líbano — o que mantém o dólar forte e os mercados em suspenso.

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