Redução de até sete mil milhões de dólares poderia comprometer crescimento e finanças públicas de Etiópia, RDC e Nigéria.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que a diminuição da ajuda dos doadores aos países africanos pode retirar entre quatro e sete mil milhões de dólares de financiamento, constituindo, segundo a instituição, o maior golpe macroeconómico que essas economias enfrentarão. A Etiópia, a República Democrática do Congo e a Nigéria são os Estados mais atingidos, ao passo que as próprias agências humanitárias enfrentam restrições orçamentais.
Impacto imediato nos países vulneráveis
A análise especial divulgada durante os Encontros da Primavera em Washington sublinha que os cortes agravariam a já frágil situação fiscal e aumentariam a incerteza política. Em economies com pouco espaço orçamental, a redução de recursos conduzirá a pressões orçamentais superiores a choques anteriores, limitando ainda mais a capacidade de resposta a crises humanitárias.
Dimensões do corte na ajuda bilateral
Segundo dados da OCDE, a ajuda bilateral aos países africanos caiu entre 16 % e 28 % no último ano, o que equivale a uma perda de entre Kz 3,3 e Kz 5,9 mil milhões (quatro a sete mil milhões de dólares). O recuo prende‑se sobretudo ao encerramento da agência norte‑americana USAID.
Países onde a perda representa maior quota de receitas
Embora Etiópia, RDC e Nigéria registrem as maiores cifras absolutas de corte, o FMI destaca que países como o Sudão do Sul e a República Centro‑Africana poderão ver másâde até 10 % das suas receitas públicas desaparecem, colocando a ajuda humanitária em situação crítica.
Implicações para a economia angolana e investidores
A diminuição súbita de financiamento externo encerra oportunidades de investimento em projectos de desenvolvimento e reforça a necessidade de reforçar reservas internacionais e cautela fiscal. Investidores devem reavaliar a exposição a mercados angolanos e regionais, considerada a probabilidade de pressões inflacionárias adicionais e aumento dos custos de emissão de dívida.
O FMI conclui que, ainda que alguns Estados disponham de reservas para amortecer o impacto, o cenário geral indica uma deterioração das posições orçamentais e um endurecimento do ambiente macroeconómico nas próximas rondas de política fiscal.
Fonte: Fundo Monetário Internacional
